Attila Kisbenedek/AFP
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Fifa vai à Justiça para recuperar R$ 8 milhões pagos por Blatter a Platini

Pagamento ocorreu em 2011 e veio à tona em 2015, obrigando o suíço a renunciar da presidência da entidade

Redação, Estadão Conteúdo

11 de dezembro de 2019 | 14h02

O Comitê de Governança da Fifa vai apresentar uma ação na Justiça da Suíça contra Michel Platini para reaver 2 milhões de francos suíços (R$ 8,24 milhões) que foram pagos pelo suíço Joseph Blatter, ex-presidente da entidade mundial, ao francês, ex-presidente da Uefa, de forma indevida e o levaram a ser banido de todas as atividades ligadas ao futebol.

O pagamento de Blatter a Platini se deu em 2011 e veio à tona em 2015, obrigando o suíço a renunciar da presidência da Fifa. Em junho deste ano, Platini foi detido na cidade de Nanterre, no subúrbio de Paris, para ser interrogado por suspeitas de corrupção envolvendo a escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022.

O presidente do Comitê de Governança da Fifa, Mukul Mudgal, escreveu uma carta ao secretário-geral da entidade, Alasdair Bell, pedindo que o órgão tome as providências cabíveis para recuperar o dinheiro em questão.

"A administração da Fifa deve tomar as medidas necessárias perante as autoridades relevantes na Suíça contra Blatter e Platini, com o objetivo de garantir que os 2 milhões de francos suíços pagos indevidamente pelo Sr. Blatter ao Sr. Platini sejam devolvidos à Fifa (junto com os juros e as taxas apropriadas) com as multas e custos disciplinares", escreveu Mudgal em uma carta enviada em 25 de novembro.

Platini está liberado para trabalhar novamente no futebol porque a sua punição expirou em outubro de 2019, depois que ele conseguiu reduzir a pena de oito para seis anos e, mais tarde, em decisão definitiva, para quatro. Mas qualquer retorno a um cargo sênior provavelmente o obrigaria a pagar à Fifa uma multa de 60 mil francos suíços (R$ 247 mil).

Platini presidiu a Uefa entre 2007 e 2015 e seria o sucessor de Blatter para assumir a Fifa. No entanto, o envolvimento em casos de corrupção, que estouraram em 2015, impediu o dirigente francês de ser candidato à presidência do órgão máximo do futebol mundial.

Blatter teve de renunciar à presidência da Fifa em junho de 2015. Ao contrário de Platini, o suíço ainda está cumprindo uma suspensão do futebol de seis anos, imposta pela entidade e mantida pela Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês). Ele foi punido justamente por autorizar o indevido pagamento de 2 milhões de francos suíços a Platini e, também, por adicionar US$ 1 milhão (R$ 4,12 milhões na cotação atual) ao fundo de pensão do francês de forma ilícita.

No mês passado, Vicent Solari, um dos advogados de Platini, disse que iria à Justiça para solicitar a seu cliente os pagamentos supostamente devidos previstos no contrato de trabalho na Uefa no valor de 3 milhões de francos suíços (R$ 12,5 milhões) referentes a salário e bônus anuais.

O advogado afirmou que a Uefa pagou a Platini por apenas um ano após sua suspensão - em outubro de 2015 - e contestou a proibição do comitê de ética da Fifa. O contrato de Platini exigia dois anos de pagamento "em caso de incapacidade para executar suas tarefas", alegou Solari.

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