Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Fifa vai cobrar Dilma Rousseff por segurança na Copa do Mundo

Blatter quer garantias da presidente de que manifestações nas ruas não vão interromper Mundial

Jamil Chade - Correspondente, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2014 | 04h59

ZURIQUE - A Fifa vai cobrar da presidente Dilma Rousseff nesta quinta-feira garantias de que, seja o que ocorrer nas ruas brasileiras, as manifestações não vão interromper a Copa do Mundo e o torneio não terá partidas adiadas. Nesta quinta, a presidente visita pela primeira vez a sede da Fifa em Zurique e terá um encontro com Joseph Blatter, o mandachuva do futebol mundial. Oficialmente, a entidade insiste que se trata apenas de "uma visita de cortesia". Mas a agenda está carregada.

A situação do estádio de Curitiba é alarmante e a entidade quer um envolvimento direto do governo federal para não obrigar o calendário da Copa a ser revisto e eventualmente liberar verbas.

Outro ponto da agenda que ainda precisa ser negociado é a presença da presidente na abertura e encerramento da Copa. Depois da vaia recebida pela presidente na abertura da Copa das Confederações, a Fifa quer garantias de que ela não vai esnobar o torneio para se blindar em um ano eleitoral.

O Estado revelou na semana passada com exclusividade a realização do encontro desta quinta. Parte do esforço tanto de Dilma quanto de Blatter é o de dar uma sinalização internacional de que a Fifa e o governo estão trabalhando juntos para garantir o sucesso de um evento mergulhado em polêmicas.

Mas, sem saber o que vai ocorrer quando os dois se encontrarem, a Fifa não confirmou ainda se uma conferência de imprensa seria realizada, justamente para evitar que as diferenças sejam escancaradas.

Em desavenças permanentes desde 2007, o governo e a Fifa se deram conta que precisam unir esforços se querem que a Copa, em menos de cinco meses, seja um sucesso. Se Dilma esnobou Blatter, agora ela foi orientada a dar atenção ao Mundial que, se sair dos trilhos, pode custar até sua reeleição.

Blatter, depois dos protestos na Copa das Confederações, entendeu que apenas o estado brasileiro pode colocar um volume suficiente de polícia na rua para garantir a segurança da Copa. O Estado apurou que um plano para blindar o Mundial está sendo preparado.

A meta é a de garantir que, seja qual for a situação das ruas, os jogos não serão adiados. Na Fifa, fontes do departamento de segurança admitem que precisarão "conviver" com a situação das manifestações.

Mesmo que seja exigido que estádios sejam blindados, a Fifa quer garantias de que a bola vai rolar no horário e dia determinado. Por mais que possa significar um problema, é justamente a audiência mundial que não pode ser afetada, seja por conta das televisões que pagaram milhões ou por conta dos interesses de patrocinadores. 

ATRASOS

Blatter e Dilma também tem sobre a mesa outro ponto delicado: os atrasos dos estádios e, em especial, o caso de Curitiba que pode ser excluído. A Fifa quer garantias de que o governo vai se envolver nas próximas semanas e, se necessário, acelerar a liberação de verbas do BNDES em locais onde ainda precisam ser concluídos.

Dilma tem recebido relatórios periódicos sobre os avanços das obras. Mas responsáveis na Fifa não disfarçam o mal-estar. Blatter ainda quer um compromisso de Dilma de que ela estará pessoalmente empenhada no sucesso da Copa. E isso significa também não se esconder. Fontes na Fifa confirmam que a presença de Dilma na abertura e final do Mundial está sendo "negociada".

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