Fifa vai investigar Bin Hammam, adversário de Blatter na eleição

Mohamed bin Hammam vai enfrentar uma investigação ética poucos dias antes de tentar destronar Joseph Blatter da presidência da Fifa, depois que uma acusação de suposto suborno agitou a campanha nesta quarta-feira.

BRIAN HOMEWOOD, REUTERS

25 de maio de 2011 | 12h05

Bin Hammam, do Catar, chefia a Confederação de Futebol Asiática e é o único adversário de Blatter na votação de 1o de junho pela presidência da Fifa. Ele foi um de quatro dirigentes convocados pela Fifa para comparecer perante seu comitê de ética no domingo, após um relatório de Chuck Blazer, seu colega no comitê executivo.

A Fifa afirmou em comunicado que, além de Bin Hammam, iniciou procedimentos éticos contra Jack Warner, de Trinidad & Tobago, presidente da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe na sigla em inglês), e dois funcionários da União de Futebol Caribenho (CFU na sigla em inglês).

O relatório de Blazer, que incluiu "alegações de suborno", se referiu a uma reunião da CFU ao qual Warner e Bin Hammam compareceram em 10 e 11 de maio e que estava relacionada à campanha presidencial da entidade, diz a Fifa.

O encontro, realizado na cidade de Port of Spain, em Trinidad & Tobago, foi organizado para que Bin Hammam pudesse defender sua candidatura aos delegados, já que não poderia comparecer ao congresso da CONCACAF em Miami no dia 3 do mesmo mês por ter tido seu pedido de visto para os EUA negado.

Ao contrário do escândalo do ano passado, no qual dois membros do comitê executivo foram afastados após uma investigação do jornal Sunday Times, pela primeira vez as alegações vieram da própria Fifa.

O norte-americano Blazer é secretário-geral da CONCACAF. A entidade detém 35 dos 208 votos no congresso da Fifa, que escolherá entre Bin Hamman e o atual presidente Blatter.

Warner sempre foi visto como apoiador ferrenho de Blatter, mas disse que sua confederação ainda não decidiu quem apoiará desta vez.

A Fifa não comentou se a eleição pode ser adiada.

Um porta-voz de Blatter também disse que não iria comentar e um porta-voz de Bin Hammam declarou que qualquer comentário seria feito em seu site oficial.

A Fifa está atolada em alegações de corrupção desde o ano passado, quando dois membros do comitê executivo foram afastados de qualquer atividade relacionada ao futebol por supostamente se oferecerem a vender votos a repórteres de jornal disfarçados antes da votação das Copas do Mundo de 2018 e 2022.

No início deste mês, uma investigação do parlamento britânico sobre o fracasso da Inglaterra em garantir para si a sede do Mundial de 2018 ouviu do parlamentar Damian Collins que não há provas do jornal Sunday Times de que o camaronense Issa Hayatou e o marfinense Jacques Anouma foram subornados pelo Qatar.

O Catar, escolhido como sede da Copa do Mundo de 2022 em dezembro no lugar de Estados Unidos, Austrália, Japão e Coreia do Sul, negou categoricamente as alegações, assim como Hayatou e Anouma.

Blatter, que concorre ao quarto mandato seguido, já tem o apoio de Europa, África, América do Sul e Oceania.

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