FIFPro cobra 'capacidade de reforma e direitos humanos' ao futuro líder da Fifa

Por meio de um comunicado divulgado nesta sexta-feira, a Federação Internacional de Jogadores de Futebol Profissional (FIFPro, na sigla em inglês), que é um sindicato mundial dos atletas do esporte mais popular do planeta, apresentou uma série de requisitos que considera fundamentais para o próximo presidente da Fifa, que elegerá um novo líder em eleição marcada para 26 de fevereiro do próximo ano.

Estadão Conteúdo

23 de outubro de 2015 | 11h24

Ao listar estas "exigências", a FIFPro destacou principalmente quatro itens que considera fundamentais para que o escolhido desempenhe com sucesso o mais importante cargo do futebol mundial. O primeiro deles é possuir "capacidade comprovada para conduzir a reforma de um órgão mundial democrático e politicamente complexo". Depois, nos dois itens seguintes ressaltou que o presidente precisa ter "histórico de governança e direitos humanos", antes de finalmente destacar que o futuro líder possua "compreensão do jogo como um esporte e um negócio".

A FIFPro apresentou estes requisitos como "critérios mínimos" que o novo líder da entidade precisará ter para assumir o lugar de Blatter, que hoje está envolto em grandes escândalos de corrupção que envolvem a Fifa e a si próprio. O suíço acaba de ser suspenso por 90 dias pelo Comitê de Ética da entidade pelo pagamento de 2 milhões de francos suíços a Michel Platini, em 2011, que o ex-jogador alega que se referia a salários não pagos de trabalhos realizados como consultor do presidente da Fifa entre 1998 e 2002.

Auditor da Fifa, Domenico Scala condenou no início desta semana o suspeito pagamento do suíço ao francês em 2011 e classificou o caso como um "clássico conflito de interesses". E a FIFpro ressaltou nesta sexta que o substituto de Blatter seja capaz de "liderar e transformar" uma organização democrática e global e "eliminar até mesmo a menor percepção de conflito de interesses".

"Essa pessoa deverá entender o futebol tanto como um esporte e como um negócio, incluindo como aplicar um modelo perfeito de governo que separe a política das atividades comerciais, como a concessão dos direitos de organização da Copa do Mundo. O novo presidente teria também de fazer um trabalho baseado no bem-estar social, na justiça, nos valores democráticos e nos direitos humanos", ressaltou a FIFPro.

Por meio do comunicado publicado em seu site oficial, o sindicato mundial dos jogadores pleiteou que "se o candidato em questão não apresentar estas qualidades em funções anteriores, deveria ser eliminado do processo sem nenhum atraso". "É essencial romper com o passado. Não há dúvida de que o caos presente deixou a Fifa moralmente falida", completou o comunicado, lembrando que a revelação de escândalos de corrupção envolvendo membros da Fifa são "quase diários", embora tenha tido o cuidado de destacar também que "a presunção de inocência é um princípio que deve ser acolhido enquanto várias investigações estão em andamento".

A FIFPro ainda enfatizou que o "ambiente atual da Fifa não facilita um processo eleitoral efetivo e poderia produzir um resultado extremamente prejudicial". O sindicato também fez questão de se posicionar como defensora da sua classe em meio aos escândalos que estão abalando a reputação do futebol mundial.

"Em nome dos jogadores profissionais de todo mundo que representamos, a FIFPro aceita sua responsabilidade de proteger o futebol. Este é o nosso jogo também. O tempo para politicagem terminou. A FIFPro não tem interesse em permanecer em silêncio quando o futebol necessita da atuação de pessoas chaves para agir e dar exemplo", continuou.

A data limite para apresentação de candidaturas à presidência da Fifa se expira na próxima segunda-feira. Até agora já foram confirmados como candidatos os franceses Michel Platini e Jérôme Champagne, o príncipe jordaniano Ali Bin Al Hussein e o ex-capitão da seleção de Trinidad e Tobago David Nakhid.

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