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FIFPro defende que Copa de 2022 aconteça em novembro

Federação de Jogadores Profissionais, em apoio à Fifa e contra os clubes europeus, define medida como 'única solução viável'

Estadão Conteúdo

24 de fevereiro de 2015 | 12h17

A Federação Internacional dos Jogadores Profissionais de Futebol (FIFPro) apoiou a proposta da Fifa para que a Copa do Mundo de 2022, que acontecerá no Catar, seja disputada no fim do ano, em novembro. A principal entidade do futebol mundial propôs a alteração de data para que o torneio ocorra no período do inverno do hemisfério norte, o que modificaria pela primeira vez a data de seu evento mais importante.

A ideia é impedir que as partidas ocorram sob a altíssima temperatura comum ao Catar no meio do ano, ultrapassando muitas vezes os 40ºC. Preocupada com o bem-estar dos jogadores, a FIFPro se mostrou favorável à proposta, apesar da revolta dos clubes europeus, que avaliaram a possibilidade como "um desastre" para as ligas nacionais.

"A FIFPro está convencida de que uma mudança para os meses de inverno é a única solução viável para proteger a saúde e o bem-estar dos jogadores que estarão competindo na Copa do Mundo de 2022", explicou o sindicato em comunicado oficial divulgado nesta terça-feira.

De acordo com a Fifa, a Copa com início em novembro é "a única opção". Isso porque o mês de fevereiro será destinado para os Jogos Olímpicos de Inverno, em Almaty ou Pequim. Já o Ramadã no mundo islâmico começa no dia 2 de abril, o que dificultaria as operações de um evento em um país muçulmano.

Ainda assim, foi levantada a hipótese de o Mundial ser mais curto, justamente para ser encaixado em um calendário tão cheio, mas a FIFPro fez ressalvas sobre esta possibilidade. "Qualquer discussão sobre uma redução proposta para os dias da competição é um problema que envolve os jogadores. Mudanças na agenda poderiam exigir esforço extra na carga de trabalho dos jogadores. É isso que a FIFPro avaliará com todas as partes interessadas no processo."

O sindicato ainda indicou que a mudança para novembro não é a única medida que a Fifa precisa tomar. "Uma mudança para ficar longe das condições climáticas que colocariam os jogadores em risco não deve ser tomada isoladamente. A FIFPro segue com a opinião de que há diversos desafios não resolvidos pela frente."

A decisão sobre a alteração da data ainda precisa passar pelo Comitê Executivo da Fifa, que se reúne em março para bater o martelo. Mas a proposta é uma aceitação generalizada de que, ao dar ao Catar a Copa de 2022, os cartolas simplesmente ignoraram o fato de que seria impraticável jogar futebol no deserto no verão.

Só que a FIFPro aproveitou as atenções voltadas para o Catar para também fazer críticas ao sistema de trabalho local para os imigrantes. O kafala exige que os estrangeiros busquem a permissão de seus empregadores para mudar de emprego. Se esta for negada, eles precisão deixar o país, mas os passaportes destes trabalhadores ficam em poder de seus chefes durante o contrato.

"Abolir o sistema kafala é um problema de direitos humanos que precisa ser resolvido porque afeta todos os trabalhadores, incluindo os futebolistas profissionais. Eles deveriam ter direito a se associar, a ter acesso a contratos justos e dispor de mecanismos de resolução de disputas aliados à comunidade do futebol internacional", opinou a FIFPro.

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