Figer se nega a abrir contas na CPI

A CPI do Futebol terá de esperar a votação do mérito da liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à Associação Brasileira de Agentes de Futebol (ABAF) para ter acesso às informações fiscais e a movimentação financeira do empresário Juan Figger e de suas empresas. Durante depoimento hoje, na CPI, Figger negou-se a quebrar espontaneamente os sigilos bancário, telefônico e fiscal pessoal e de suas empresas. "Eu terei de aguardar o julgamento da liminar concedida à ABAF", disse o empresário que, no entanto, após ser pressionado pelo relator da comissão, senador Geraldo Althoff (PFL-SC), garantiu que dará uma resposta sobre a questão depois de consultar seu advogado, Márcio Thomaz Bastos. No depoimento de Figger, os senadores se detiveram na "Triangulação Uruguaia" como é chamado o esquema que envolve clubes brasileiros, entre eles o Atlético Paranaense e os uruguaios Rentistas e Central Espanhol. "Está ocorrendo a prática da sonegação fiscal e de evasão de divisa", denunciou Álvaro Dias (PSDB-PR), presidente da comissão. Para ele, essa perda de capital para o País terá de ser combatida numa nova legislação. "Esse será um dos pontos fortes no final dos nossos trabalhos", garantiu. A CPI descobriu que o empresário Juan Figger opera no mercado há 31 anos e transferiu para o exterior, só no ano passado, mais de 20 jogadores no esquema montado pela triangulação. Entre os atletas que passaram pelo esquema de Figger, estão o atacante Lucas e o meia Zé Roberto. Quando estava no Atlético Paranaense, Lucas foi vendido ao Rentistas do Uruguai por US$ 7,5 milhões e, no dia seguinte, transferido ao Rennes, da França, por US$ 23 milhões. O meia Zé Roberto deixou a Portuguesa de Desportos valendo US$ 5 milhões. Um dia após a operação o Real Madrid, da Espanha, pagou o dobro ao Rentistas. "Está clara a elisão fiscal", disse Álvaro Dias lembrando que além dos clubes uruguaios que recebem perto de 10% de cada operação que transacionam, também o empresário recebe um porcentual, ainda não calculado pela CPI por falta dos documentos sigilosos que a comissão não teve acesso por causa da liminar do STF. De acordo com o senador Geraldo Althoff, a principal conclusão que se chega é que o futebol "é um bom negócio. É um grande negócio", disse, após analisar algumas das transações feitas pelo empresário Juan Figger. Pelo levantamento da CPI, dos 669 jogadores que o Brasil "exportou" entre 99 e 2000, 20 deles passaram pelo Rentistas. "Se esse clube não fosse um time de fachada teria um dos maiores plantéis", ironizou o senador Álvaro Dias. Mas o empresário não gostou de termo "fachada". Segundo Figger "esses são clubes de tradição, que optaram por fazer uma parceria com fundos de investimentos para negociar passes de jogadores e, assim, manter suas atividades futebolísticas", justificou Juan Figger. Convocação - A CPI do Futebol aprovou hoje, a convocação de outro empresário de futebol, Francisco Monteiro, responsável pela negociação de jogadores como Djalminha, Antônio Carlos, Cafu e Luizão.

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