Figger faz depoimento evasivo na CPI

O depoimento do empresário Juan Figger na CPI da CBF/Nike foi marcado por contradições e evasivas. O relator Silvio Torres quis saber por que ele, que havia acabado de dizer que queria colaborar com a CPI, recorreu duas vezes ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir as investigações em torno de seu nome. Figger disse que se limitou a seguir o procedimento adotado pela da Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf). "Não posso desrespeitar a decisão do Supremo", alegou. Na maior parte do depoimento, Figger agia como se não entendesse o teor das perguntas. A impressão que ficou é que os dois interlocutores, ele falando espanhol e os deputados falando português, não conseguiam se entender. Muitas vezes suas respostas estavam desfalcadas do contexto da questão. A certa altura, o deputado Eduardo Campos (PSB-PE) quis saber quanto ele ganhava por agenciar jogos da Seleção Brasileira. "É motivo de muito orgulho para um agente trabalhar para a seleção", disse ele. O deputado insistiu na questão: "Acho que não estou me fazendo entender, mas quanto é a remuneração nessa intermediação?" Juan Figger enrolou o quanto pode. Diante da insistência do parlamentar, ele informou que a Fifa estabelece como remuneração pelo agenciamento um porcentual máximo de 10% sobre o que foi pago ao clube.Juan Figger depôs acompanhado pelos advogados Márcio Thomás Bastos, Antonio Carlos de Almeida Castro e Luiz Otávio Ferreira. Ele se identificou na apresentação que leu no início do depoimento como um empresário que sempre "buscou a ética e a correção".

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