Figger irrita CPI e vai depor de novo

O empresário Juan Figger não conseguiu explicar na CPI da CBF/Nike a triangulação que leva os jogadores agenciados por ele a passarem por dois times pequenos do Uruguai, o Rentistas e o Central Espanhol, antes de terem os passes vendidos por valores milionários para clubes europeus. Ao depor hoje, ele tentou convencer aos deputados de que a negociação envolvia "direitos federativos e financeiros", mas tudo o que conseguiu foi irritá-los com as suas alegações. O presidente da comissão, deputado Aldo Rebelo (Pcdo B-SP), conhecido pela forma ponderada como trata os depoentes, foi direto ao assunto: "O que se quer saber é porque os contratos desses jogadores chegam ao Uruguai pela manhã e à tarde eles já foram vendidos para a Europa", informou. Segundo Rebelo, há suspeita de que esse procedimento envolva um esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e de sonegação. "É bom que o senhor esclareça essa situação", insistiu o parlamentar. "O senhor sabe muito bem do que estamos falando". O deputado afirmou que dados em poder da CPI indicam que o Uruguai funciona como "um entreposto de jogadores". Nenhum deles teria atuado naquele país antes de ter o passe negociação para clubes europeus por valores muito acima do que os declarados no Brasil. Ao final do depoimento, que durou cerca de cinco horas, Juan Figger foi informado que será convocado a depor novamente. Rebelo também questionou a "coincidência" no fato de a maioria dos atletas negociados pelo empresário serem convocados para Seleção Brasileira, normalmente depois de passarem pelo Uruguai. Juan Figger disse que no caso de Warley, autuado na Itália por utilizar passaporte português falso, havia um entendimento na divisão do passe do atleta entre o Rentistas e o Altético Paranaense. Mas o deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP) o contestou, lembrando que tal acordo não consta na lista de transação de jogadores para o exterior, encaminhada à comissão pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O deputado Eduardo Campos (PSB-PE) relacionou 19 jogadores que teriam sido negociado por Figger com escala naquele país. Estão na lista, entre outros, Alex, Amoroso, Lucas, Adriano e Jorginho. Para mostrar o quanto a situaçao é inédita, o deputado Doutor Rosinha (PT-PR) recorreu ao noticário da imprensa em que o Rentistas é tratado como "um clube fundado por fazendeiros desocupados e milionários que vivem de renda". Juan Figger disse que esse clube e o Central Espanhol, ambos sem fim lucrativo, conseguem recursos para pagar o passe dos jogadores em instituições financeiras uruguaias. O empresário também negou envolvimento nas denúncias de passaportes falsos. Segundo ele, Warley teria obtido seu passaporte falso diretamente do Udinese, da Itália, enquanto que Edu, vendido ao Arsenal, da Inglaterra, tinha direito ao passaporte comunitário "porque seu avô é natural de Portugal". O fato de Edu ter sido flagrado com um passaporte falso, foi atribuído por Figger ao envolvimento involuntário de uma pessoa de sua relação, Hermínio Menendez, com uma quadrilha de falsificadores de passaporte. Duas idades - A liminar concedida ao empresário pelo ministro do Supremo Tribunal Federalp (STF), Nelson Jobim, para impedir os parlamentares de questioná-lo sobre dados obtidos com as quebra de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico atrapalhou o depoimento. Deixou em troca uma série de dúvidas que poderiam ter sido esclarecidas. Uma delas é o fato de Juan Figger ter apresentado declarações de renda com idades diferentes. Numa delas ele nasceu em 1930; na outra, ele é mais jovem, tendo nascido em 1934. Os parlamentares também queriam ouvir o empresário sobre a movimentação de recursos em suas contas, considerada suspeita. Outra dúvida, esta levantada pelo deputado Geraldo Magella (PT-DF), é sobre a omissão na declaração de bens de dois carros utilizados por ele.

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