Filha de Di María inspira o craque em campo

Meia argentino dedica seus gols à menina, que nasceu aos seis meses de gestação e completou 1 ano com saúde plena

Gonçalo Junior, Vítor Marques - Enviados especiais a Belo Horizonte, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2014 | 05h00

Mia nasceu prematuramente aos seis meses de gestação e foi direto para a UTI. Durante dois meses, teve de se segurar aos 30% de chances de sobrevivência que davam os médicos. E era uma previsão otimista. Se vingasse, poderia ter sequelas. Em um daqueles casos que a medicina simplesmente dá de ombros e não consegue explicar, Mia sobreviveu. Sem sequelas. Mia é filha de Ángel di María e foi para ela que o craque fez o coração com as mãos no gol contra a Suíça que colocou a Argentina nas quartas de final da Copa.

É para ela também que Di María dedica a maioria dos gols que faz. Mesmo com a filha recuperada, o jogador transforma cada alegria dentro de campo em um momento de celebração da vida da menina.

"Acho que minha mulher e minha filha estão orgulhosas de mim", disse o jogador assim que saiu de campo, após a vitória extenuante. "Estou muito feliz. Foi uma alegria para todos os argentinos, para nós, para a nossa família e para todos que nos dão um apoio que é sempre fundamental", completou. 

A angústia de Di María só foi revelada pouco antes da Copa, por meio de algumas mensagens nas redes sociais, assinadas pelo próprio jogador e pela mulher, Jorgelina Cardoso. Em abril deste ano, quando Mia completou 1 ano, o casal contou parte de seu drama.

"No dia 22 de abril de 2013, cesárea programada para as 19h. Nervos, angústia, medo, muito medo. Alta porcentagem de não vir ao mundo, outro tanto de ficar com sequelas importantes. O que será da tua vida, minha pequena grande Mia? Quantas lágrimas! Chegaste ao mundo e agora o pior", diz um trecho da mensagem.

"Dois meses na unidade de cuidados intensivos. Ninguém mais que papai e eu sabemos a dor que causava te ver tapada de fios e aparatos em teu belo rostinho. Nada mais triste que voltar para casa com os braços vazios e o peito cheio de dor. Infecções, transfusões, o que será de você, meu amor?", continua a mensagem do casal. A alegria foi externada também no próprio corpo. Di María e a mulher fizeram grandes tatuagens nas pernas com o nome da filha. Obviamente, o jogador escolheu sua talentosa perna esquerda.

Embora não tenha compartilhado sua dor, Di María não se abateu. Fez uma grande temporada no Real Madrid e foi um dos destaques da conquista da Liga dos Campeões. Chegou à Copa do Mundo como um dos pilares do Quarteto Fantástico, nome pomposo usado pelos argentinos para nomear a formação com o próprio Di María, Messi, Higuaín e Agüero, que acabou se contundindo. "A maior alegria da vida é poder dar alegria aos argentinos e também à minha família", declarou depois do título europeu.

Como mostram outras mensagens mais recentes, Di María se inspira na filha. "Vieste ao mundo para nos ensinar que não há que se render jamais e para demonstrar que, se quisermos, este mundo pode ser bem melhor", escreveu.

VELOCIDADE

O jogador mais importante da Argentina (depois de Messi) corre pela filha. Literalmente. Ele é o terceiro jogador mais veloz da Copa. No jogo contra a Suíça, conseguia manter esse desempenho quando todos apenas andavam na metade da prorrogação – até Lionel Messi. Dos 29 chutes a gol dados pelos argentinos, 12 foram de Di María.

Quando recebeu o prêmio de melhor jogador em campo contra a Suíça, Messi – que deu o passe para Di María marcar e levar a Argentina às quartas – disse não saber se merecia realmente a homenagem.

Depois do jogo, Di María era só sorrisos. "É uma alegria única marcar um gol em uma fase tão importante da Copa. Todos somos heróis, os jogadores e a comissão técnica", afirmou o meia, que não se esquece sua heroína particular.

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