Divulgação/Fifa
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Filho de Jérôme Valcke tem cargo de marketing na CBF

Sebastien Valcke é diretor internacional de marketing da entidade

Almir Leite , O Estado de S. Paulo

17 de setembro de 2015 | 16h58

O filho do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, continiua prestando serviços para a Confereação Brasileira de Futebol (CBF)  desde setembro do ano passado. Sebastien Valcke,  francês de 27 anos, trabalha na área de marketing da entidade. Foi contratado a pedido do então presidente José Maria Marin, com aval do atual mandatário, Marco Polo Del Nero. Sebastien mora no Rio de Janeiro desde antes da Copa do Mundo de 2014.

A CBF manteve a contratação do filho do secretário-geral da Fifa guardada a sete chaves, mas o Estadão revelou, em junho de 2015, que ele trabalhava na confederação. A participação de Sebastien nos quadros da entidade foi confirmada por dois funcionários da Fifa e um ex-funcionário da CBF. Uma de suas atribuições é fazer contatos fora do Brasil, por exemplo em épocas de amistosos.

O diretor de marketing da CBF, Gilberto Ratto, reconheceu ao Estado, em junho,  que Sebastien Valcke foi indicado por Marin. Mas negou que tivesse recebido ordem de contratá-lo. "Foi uma indicação, pois eu precisava montar uma estrutura na área. Mas não tinha a obrigação de contratá-lo, o fiz por seu currículo e por perceber sua capacidade de ajudar em projetos da entidade."

No entanto, o Estado apurou que o cargo foi dado a Sebastien a pedido do pai. "Jérôme sempre ajudou a empregar o filho. Foi assim na Copa de 2014, foi assim na CBF'', disse ao Estado um ex-funcionário da Fifa. A explicação para que ele tenha sido empregado pela entidade brasileira é simples: ele reside no Rio de Janeiro desde 2013, quando foi contratado pela Fifa para ser um dos coordenadores dos jogos do Mundial realizados no Maracanã.

De acordo com Ratto, Sebastien está finalizando um projeto para captação de parceiros internacionais para a CBF. A ideia básica é que a entidade tenha patrocinador em vários países. Também está elaborando o regulamento geral de marketing da entidade.

"Visitamos vários estádios para definir normas de exposição de patrocínio. O da Ponte Preta, o do Corinthians, o do Palmeiras... Não estamos escondendo ninguém. Quem estavas lá na ocasião das visitas viu o Sebastien'', rebate Ratto sobre as acusações de que a CBF procurou omitir a presença do filho do secretário-geral em seus quadros. 

Sebastien Valcke não está registrado pela CBF. Foi contratado como funcionário terceirizado. "Ele vai à CBF todos os dias'', diz Ratto, que não revelou o salário do "colaborador''. Disse apenas que a faixa salarial na área de marketing da entidade é de R$ 10 mil.

Para ele, não há nada irregular na contratação de Sebastien. "Eu não vejo o pai de quem contrato, vejo a capacidade do contratado'', alega.

EMPURRÃO PATERNO

A exemplo do que ocorre agora na CBF,  Sebastien trabalhou na Fifa por influência do pai. Mas Jérôme Valcke sempre negou, com irritação, questionamentos sobre ajudar o filho. No ano passado, ele falou sobre o assunto e gtarantiu que o garoto anda com suas próprias pernas. "Sébastien trabalhou em 2010, na Copa da África do Sul, no estádio da Cidade do Cabo, e ninguém se interessou por isso", disse Valcke à época. "Seu trabalho é saudado por seu coordenador geral e por todos que trabalham com ele". 

Durante parte de sua estada no Brasil pelo envolvimento com a Copa,  Sebastien Valcke residiu um apartamento que pertence ao ex-jogador Ronaldo, na zona sul do Rio. O aluguel seria de R$ 50 mil mensais. Sebastien fala português, francês e inglês, formou-se na França e fez curso de extensão nos Estados Unidos. 

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