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Assim como Jobson, Edinho teve problemas com a Justiça. Divulgação

Filho de Pelé, Edinho vira técnico informal na prisão

Condenado a doze anos por lavagem de dinheiro e associação ao tráfico, filho de Pelé orienta os times da penitenciária e planeja retomar carreira

Gonçalo Júnior, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2018 | 07h00

Condenado a 12 anos e dez meses de prisão por lavagem de dinheiro e associação ao tráfico de drogas, Edinho passa boa parte do tempo na quadra poliesportiva da penitenciária Dr. José Augusto César Salgado, de Tremembé. É a famosa P-II. O filho de Pelé joga futebol e gosta de orientar as equipes como treinador, fazendo o que fazia quando estava em liberdade. Ele também se mantém no prumo com as visitas da mulher, Jessica, e os grupos de oração. Pessoas próximas o definem como cara “espiritualizado”.

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Quando o regulamento da instituição permite, mais ou menos uma hora por dia, Edinho está na quadra de cimento, aberta todos os dias. Com a bola, o herdeiro do Rei volta ao passado, bem antes de ser preso. Quando joga no gol, ele se lembra da carreira no Santos. Titular, foi vice-campeão brasileiro em 1995 - aquele jogo do gol impedido de Túlio na final do Pacaembu. Edinho cavouca as lembranças ao orientar os timinhos da P-II e tentar imprimir um fiapo de organização tática à pelada da cadeia. Ele era técnico antes de ser preso, com passagens por Mogi Mirim e Água Santa. Na prisão, tudo é informal. Edinho dá dicas de esquemas táticos e ajuda na preparação física dos detentos. O filho de Pelé tem prestígio com os amigos.

O Estado foi conferir seu trabalho em janeiro do ano passado em Três Corações (MG). Ele treinava o Tricordiano, time em que seu avô, Dondinho, foi ídolo nos anos 1930 e 1940, na cidade em que Pelé havia nascido. Entusiasmado, Edinho falava em reviver a memória do avô, mas a coincidência histórica durou pouco. Pouquíssimo. Ele foi demitido após dois jogos. Agora, faz planos de retomar a carreira quando sair da prisão.

Em Tremembé, todos sabem que ele é filho de Pelé, mas isso não faz diferença em sua rotina na tranca. Ele tem de se levantar às 5h45 como todos - o colchão finíssimo também não ajuda a dormir bem. “Caminha dura, dura caminhada,” como ensina Gilberto Gil. Os agentes penitenciários contam preso por preso três vezes ao dia. A primeira refeição tem pão com manteiga e café; o almoço mais comum oferece arroz, feijão, bife à rolê, rúcula e tomate. Banana e laranja compõem o cardápio diário.

Comparada às outras 86 penitenciárias do Estado, as condições até que são boas. Cabem na P-II 408 presos, mas a população atual é de 344. Portanto, não está superlotada. Edinho divide a cela com outros seis. Por questões de segurança, a secretaria de Administração Penitenciária não informa quem são seus colegas nem a localização do cômodo, de 8m a 15m.

O detento pode ir à biblioteca, ver filmes com comentários, fazer artesanato e teatro ou participar de cursos profissionalizantes e de ensino regular. Edinho gosta de estudar em Tremembé. Ele está na fila para trabalhar também, pois as vagas são por ordem de ingresso na prisão. As atividades são limpeza, distribuição de cartas, manutenção e cozinha. Há atividades remuneradas, prestadas às empresas dentro da P-II, como reformar carteiras. Trabalhar significa reduzir a pena.

Na igreja ecumênica são realizadas missas católicas e cultos evangélicos. Edinho participa de grupos de oração - esse é outro pilar do ex-atleta de 47 anos para se sustentar na prisão. Já são oito meses, contados hora após hora. As visitas dos familiares são importantes - a mulher, Jessica, sempre visita o marido. “No sistema carcerário, a pessoa tende a ficar emocionalmente abalada, mas o Edinho é um cara espiritualizado. Ele está razoavelmente bem”, diz o advogado Eugênio Malavasi, que o vê uma vez a cada 15 dias. A secretaria informa que Edinho tem bom comportamento.

Pelé não retornou os pedidos de entrevista para falar sobre o filho. Em declarações anteriores, disse que o visita com frequência. Edinho está preocupado com a saúde do pai, que passou a usar um andador. Edson Cholbi do Nascimento é filho de Rosimeri Cholbi, a primeira mulher de Pelé. Edinho tem 11 tatuagens e uma só homenageia a família: Rose.

Regime semiaberto já é realidade, diz advogado de Edinho

Edinho está completando oito meses em seu quinto período de prisão. Entre idas e vindas desde 2005, ele está perto de cumprir 1/6 da pena de 12 anos e dez meses. Esse número é importante na visão dos advogados do ex-jogador e filho de Pelé. Depois de completar a sexta parte da pena, Edinho pode solicitar a progressão do regime fechado (o preso não pode sair da cadeia) para o semiaberto (o preso pode sair para trabalhar e estudar durante o dia, mas tem de voltar à noite). Os defensores estão otimistas e afirmam que ele poderá ser beneficiado nos próximos meses.

“Edinho tem totais condições de ser progredido (do fechado para o semiaberto). Só existe um entrave na execução penal dele relacionado à falta de documentação. Logo após a Páscoa, deve ser expedida a carta de guia. Assim que ela for autuada, a petição já está pronta. Vamos ingressar com o pedido de semiliberdade”, garante o advogado Eugênio Malavasi.

Edinho reafirma inocência. Ele repete o que afirmou ao Estado no ano passado, quando treinava a equipe do Tricordiano, em seu último trabalho antes de ser preso. O filho de Pelé se sente injustiçado e diz que não cometeu crime de lavagem de dinheiro. “Eu tenho a consciência tranquila da minha total inocência em relação às acusações que foram feitas”, disse ao repórter em janeiro de 2017.

Edinho foi preso com outras 17 pessoas pela Operação Indra em junho de 2005, acusado de ligação com uma organização de tráfico de drogas comandada por Ronaldo Duarte Barsott, o Naldinho, na Baixada Santista. Sua pena foi de 33 anos e quatro meses de prisão.

Ele chegou a ser preso, mas depois de seis meses em prisão provisória, foi solto com liminar em habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). Edinho permaneceu em liberdade, alternando idas e vindas à cadeia, por ser possível a apresentação de recursos. No dia 23 de fevereiro de 2017, a 14.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça (SP) confirmou a condenação, mas reduziu a pena para 12 anos e dez meses, em regime fechado. Edinho foi obrigado a se apresentar. Foi detido em julho do ano passado, após a 14.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) decidir por rejeitar as apelações da defesa. Desde então, está preso.

Malavasi nega que o ministro Gilmar Mendes tenha negado novo pedido de habeas corpus no mês de fevereiro e aguarda a decisão do colegiado. “Oportuno aguardar a chegada das informações solicitadas pelo STJ, o qual terá plena condição de realizar melhor análise do caso”, concluiu o ministro do Supremo Tribunal Federal.

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Regime semiaberto já é realidade, diz advogado

Entre idas e vindas desde 2005, ex-atleta está perto de completar 1/6 da pena e pode pedir mudança de regime

Gonçalo Júnior, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2018 | 07h00

Edinho está completando oito meses em seu quinto período de prisão. Entre idas e vindas desde 2005, ele está perto de cumprir 1/6 da pena de 12 anos e dez meses. Esse número é importante na visão dos advogados do ex-jogador e filho de Pelé. Depois de completar a sexta parte da pena, Edinho pode solicitar a progressão do regime fechado (o preso não pode sair da cadeia) para o semiaberto (o preso pode sair para trabalhar e estudar durante o dia, mas tem de voltar à noite). Os defensores estão otimistas e afirmam que ele poderá ser beneficiado nos próximos meses.

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“Edinho tem totais condições de ser progredido (do fechado para o semiaberto). Só existe um entrave na execução penal dele relacionado à falta de documentação. Logo após a Páscoa, deve ser expedida a carta de guia. Assim que ela for autuada, a petição já está pronta. Vamos ingressar com o pedido de semiliberdade”, garante o advogado Eugênio Malavasi.

Edinho reafirma inocência. Ele repete o que afirmou ao Estado no ano passado, quando treinava a equipe do Tricordiano, em seu último trabalho antes de ser preso. O filho de Pelé se sente injustiçado e diz que não cometeu crime de lavagem de dinheiro. “Eu tenho a consciência tranquila da minha total inocência em relação às acusações que foram feitas”, disse ao repórter em janeiro de 2017.

Edinho foi preso com outras 17 pessoas pela Operação Indra em junho de 2005, acusado de ligação com uma organização de tráfico de drogas comandada por Ronaldo Duarte Barsott, o Naldinho, na Baixada Santista. Sua pena foi de 33 anos e quatro meses de prisão.

Ele chegou a ser preso, mas depois de seis meses em prisão provisória, foi solto com liminar em habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF). Edinho permaneceu em liberdade, alternando idas e vindas à cadeia, por ser possível a apresentação de recursos. No dia 23 de fevereiro de 2017, a 14.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça (SP) confirmou a condenação, mas reduziu a pena para 12 anos e dez meses, em regime fechado. Edinho foi obrigado a se apresentar. Foi detido em julho do ano passado, após a 14.ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) decidir por rejeitar as apelações da defesa. Desde então, está preso.

Malavasi nega que o ministro Gilmar Mendes tenha negado novo pedido de habeas corpus no mês de fevereiro e aguarda a decisão do colegiado. “Oportuno aguardar a chegada das informações solicitadas pelo STJ, o qual terá plena condição de realizar melhor análise do caso”, concluiu o ministro do Supremo Tribunal Federal.

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