Filho faz as honras para Adãozinho

Nem a madrugada fria, nem o sono às 4 horas da manhã abalaram o entusiasmo de um menino que, no Aeroporto de Cumbica, esperava por seu herói. Jefferson Elvine, de 12 anos, aguardava ao lado dos tios a volta do pai, o meia Adãozinho, confiante de que as lágrimas de tristeza que chorou quando o pai perdeu a Copa João Havelange em 2000 e o Campeonato Brasileiro de 2001 se transformarão em alegria quarta-feira, com o São Caetano conquistando a Taça Libertadores. Jefferson conta com desenvoltura que não gosta de derrota nem nas peladas que disputa em família e, por isso, quando Adãozinho perdeu as finais nacionais ele chorou. "Meu pai veio falar comigo e disse que na vida a gente nasce para duas coisas: para vencer e para perder e a gente não pode ficar nervoso quando perde porque nossa hora de vencer um dia vai chegar", conta. "Mas acho que nasci só para ganhar", completa, com sorriso maroto. A história de Adãozinho e suas lições de vida profundas, inspiram Jefferson, que não esconde admiração por seu herói. "Para mim meu pai é um vencedor. Para chegar onde ele está agora teve de trabalhar bastante", conta o garoto. "Quando ele treinava no Bragantino, saía do estádio e ia trabalhar de pedreiro para dar leite para mim", lembra, com um brilho nos olhos de orgulho. "E ele diz que não terá vergonha de trabalhar se parar de jogar futebol e a gente não deve ter vergonha de trabalhar também." No futuro, Jefferson sonha em ser "um jogador de futebol bom como meu pai". Sabe, porém que a trajetória não será fácil. No entanto, o garoto diz que se inspira no exemplo de um atleta que se dedica, não reclama e jamais esqueceu seu passado além de ser um "homem humilde e de bom caráter." Jefferson diz que costuma rezar pelo pai. Diz que nunca pede para Adãozinho ganhar ou perder jogos. "Peço para Deus que nada de mal aconteça a ele." Ao mesmo tempo, o garoto torce para que seu pai consiga realizar seus maiores sonhos: "ajudar os outros e ir para a seleção brasileira". O garoto garante que estará no Pacaembu na quarta-feira e espera, além do bom resultado, que o pai faça a jogada que mais gosta. "Quando ele corre e dá um breque no adversário." Jefferson também espera chorar novamente, desta vez, de alegria.

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