Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Finais comprovam: futebol paulista é o mais caro para torcedores

Média de gasto por fã é maior que o dobro do resto dos estaduais

Igor Ferraz, O Estado de S. Paulo

27 de abril de 2015 | 11h39

Neste domingo, quatro finalíssimas de estaduais foram disputadas nas novas e modernizadas arenas, inauguradas ou reabertas recentemente. Os campeonatos Carioca, Paulista, Mineiro e Gaúcho tiveram seus primeiros jogos da decisão realizados, respectivamente, no Maracanã, Allianz Parque, Mineirão e Arena Grêmio. Porém, percebe-se, analisando o público, a renda e os preços dos ingressos destas partidas, que o torcedor paulista é o que mais sofre com os altos valores.

O novo estádio do Palmeiras recebeu, na decisão deste domingo, 39.479 pagantes, sua maior marca de público até agora. A renda também quebrou recordes: nada menos que R$ 4.181.281. A cadeira mais barata para a final custava R$ 120, enquanto a mais cara saía por R$ 300 (nas quartas de final, contra o Botafogo-SP, os ingressos variavam de R$ 80 a R$ 200).

Em média, cada torcedor que compareceu para assistir à vitória de 1 a 0 do Palmeiras sobre o Santos no Allianz Parque gastou R$ 105,91 (deve-se considerar os preços de meia-entrada). Enquanto isso, no Maracanã, para assistir ao duelo entre Vasco e Botafogo, o torcedor carioca gastou, em média, R$ 49,37. Na Arena Grêmio, o gasto médio do público foi o que mais se aproximou do Palmeiras, mas, mesmo assim, permanece abaixo da metade da média paulista: R$ 51,20.

Os números apenas corroboram a tese de que o preço do futebol paulista para o torcedor é, disparadamente, o maior do Brasil. Além do Palmeiras, o Corinthians também inaugurou sua arena recentemente e vem 'abusando' dos valores dos bilhetes. No clássico contra o São Paulo do dia 18 de fevereiro, pela Copa Libertadores, o Itaquerão recebeu seu maior público: 38.487 pagantes e R$ 3.528.236 de renda. Ou seja, cada torcedor presente gastou, em média, R$ 91,67. Mesmo assim, o número fica longe da marca da final disputada neste domingo.

Enquanto o Palmeiras cobrou R$ 120 em seu ingresso mais barato, o tíquete mais acessível no Maracanã para assistir a Vasco e Botafogo custava R$ 60, ou seja, metade do valor. Quando o número é comparado à final do Campeonato Mineiro, entre Atlético-MG e Caldense, a desproporção cresce ainda mais, já que o ingresso mais barato no Mineirão custava R$ 30. Para a final do Gauchão, R$ 50 foi o valor da cadeira mais acessível.

Vale lembrar que, no início do ano, a torcida do São Paulo protestou muito contra o preço para os jogos da Copa Libertadores, que também ficavam em R$ 120. Durante todo o começo de temporada, a equipe sofreu com públicos baixíssimos no Morumbi, principalmente nos jogos menos expressivos. Ataíde Gil Guerreiro, vice de futebol do clube, chegou a dizer que o Morumbi não lotaria 'nem com os portões abertos'. Porém, depois, a diretoria recuou e anunciou uma série de promoções para atrair público a seu estádio.

Na final do Campeonato Mineiro, onde os ingressos foram cobrados a R$ 30, foi atingido o recorde de público do ano no Brasil: 53.772 torcedores pagantes no empate do Atlético-MG em 0 a 0 com a Caldense.

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