Final caipira: 15 anos depois, sem festa

São Paulo parou no dia 26 de agosto de 1990 para assistir à primeira decisão caipira do estado. De um lado o Bragantino de Vanderlei Luxemburgo. Do outro, o Novorizontino de Nelsinho Baptista. Com o Estádio Marcelo Stéfani lotado (15 mil pagantes), Bragança Paulista comemorou, após empate por 1 a 1 no tempo normal e 0 a 0 na prorrogação, o primeiro título do time da cidade. Nesta sexta-feira, 15 anos após a conquista, nada de festa. Como grande parte das equipes do interior, ambos lutam por dias melhores. O Novorizontino, sem atividades desde 1998, tenta reativar suas atividades, o que deve acontecer em 2006. O Bragantino volta à Primeira Divisão, de onde andava afastado desde 1996, com medo de não dar vexame e voltar a ser rebaixado. No dia que a cidade poderia estar comemorando os 15 anos do primeiro título - seria vice-campeão brasileiro em 91 sob o comando de Carlos Alberto Parreira -, a preocupação é evidente. O time utiliza a Copa FPF para saber de sua real força para a Série A. E decepciona. Sem dinheiro para investir em grandes contratações, aposta em time de garotos. Resultado: está na lanterna do grupo 3, com 1 vitória e 5 derrotas. Comandado por Marcos Chedid, filho de Nabi Abi Chedid, vice-presidente da CBF, fará reformulação no elenco para, ao menos, manter-se entre os 12 melhores do Campeonato Paulista. Já o Novorizontino prefere esquecer aquela decisão. "Sempre que alguém fala daquela final, fica um sentimento de frustração. Ainda mais pelo fato de a equipe acabar", afirma o ex-meia Cléber Gaúcho, vereador de Novo Horizonte que, ao lado do ex-volante Luís Carlos Goiano, encabeça projeto para reativar o clube a partir de janeiro, na Taça São Paulo de Juniores e na Série B1 do Paulista. "Falta apenas o sim dos investidores", revela Gaúcho, sobre o interesse de um grupo japonês. O intermediário é o professor José Teixeira e os contatos são encabeçados pelo preparador de goleiros Medeiros, que hoje trabalha no Japão. Luiz Felipe Scolari, técnico de Portugal, também deve colaborar. O antigo Grêmio Recreativo Novorizontino, com dívidas de mais de R$ 2 milhões, virará Grêmio Novorizontino, mantendo-se as cores preto e amarelo. Os jogos continuarão sendo realizados no Estádio Jorge Ismael de Biasi, com capacidade para 20 mil pessoas, que será reformado. "Temos o nome e a estrutura. A dificuldade é em começar." Gaúcho calcula um gasto de R$ 100 mil para o time retomar as atividades. São R$ 70 mil só para inscrever o clube na Federação Paulista de Futebol. Os outros R$ 30 mil, estão divididos entre folha de pagamento dos juvenis, juniores e equipe principal, que terão alojamentos, alimentação, condução. E como encontrar jogadores? "Faremos um peneirão na região." Outros tradicionais clubes do interior estão com projetos de "renascimento". A Ferroviária, o Noroeste, que em 1994 caiu para a Segundona e, um ano depois, chegou à Terceira. Reestruturou-se e, em 2006, volta a jogar na elite. O XV de Piracicaba passou as últimas quatro temporadas na A3. Ano que vem joga a A2 e com ambições. Já XV de Jaú, Botafogo e Inter de Limeira, a primeira campeã paulista do interior, em 1986, seguem rumo contrário. O time de Jaú fará a oitava temporada na A3, o de Ribeirão vive crise financeira e, este ano, escapou de queda na A2 por pouco. A Inter fez péssima temporada e, um ano após subir, volta para a Segunda.

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