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Final da Libertadores pode virar batalha nos tribunais

River Plate e Boca Juniors pretendem apelar contra a decisão da Conmebol de fazer decisão em Madri

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2018 | 05h00

A escolha do estádio Santiago Bernabéu como palco da final da Libertadores iniciou uma disputa nos tribunais entre Boca Juniors e River Plate. Por razões distintas, os rivais ficaram insatisfeitos e prometem apelar da decisão da Conmebol que marcou a decisão para o dia 9 de dezembro em Madri com torcidas dos dois times. 

O Boca Juniors considerou insuficiente a punição aplicada ao River Plate – dois jogos com portões fechados em competições da Conmebol e multa de US$ 400 mil (R$ 1,54 milhão). Por isso, o time de Carlitos Tevez pretende ir até a Corte Arbitral do Esporte (CAS, em inglês) se necessário. O clube entende que o rival deveria ser responsabilizado pelos ataques ao ônibus na chegada da delegação ao Monumental no sábado passado. O Boca quer ser declarado campeão da Libertadores.

O recurso dificilmente chegará a tempo ao CAS. Depois da decisão da primeira instância do Tribunal Disciplinar, o Boca tem de recorrer à Câmara de Apelações. Especialistas consultados pelo Estado afirmam que o trâmite não é rápido. “Esse caminho a ser percorrido pelo Boca costuma demorar. A probabilidade de o clube conseguir uma decisão que suspenda a final é baixa. Os recursos, em regra, não têm efeito suspensivo, que só é concedido em situações muito excepcionais”, explica o advogado André Sica, especializado em Direito Desportivo. 

Por sua vez, o River Plate considera que o rival levará vantagem por ter sua torcida novamente na final. No primeiro jogo, o Boca jogou diante de seus fãs no empate por 2 a 2. Nesse contexto, o jogo de volta deveria ter apenas torcedores do River Plate. Por isso, a torcida marcou para um protesto hoje no estádio Monumental. “O Club Atlético River Plate vai apresentar os recursos e apelações pertinentes contra as resoluções anunciadas pela Conmebol e seu Tribunal Disciplinar, em relação à mudança na sede da final da Copa Libertadores, à multa e à proibição de jogar diante de sua torcida em duas partidas”, anunciou o clube. 

“A pena é branda, considerando-se a gravidade do ocorrido. Para efeito de comparação, apenas a multa é maior do aquela imposta ao Flamengo pelos incidentes no Maracanã na final da Sul-americana em 2017. O caso do River é substancialmente mais grave”, avalia o advogado Américo Espallargas, também especialista em Direito Desportivo. À época, o clube carioca foi multado em US$ 300 mil (R$ 1,3 milhão) por invasão dos torcedores no Maracanã. 

Os espanhóis se dividem entre o temor de conflitos na capital, indignação e frustração. Santiago Solari, técnico do Real Madrid, dono do estádio onde será a final, resumiu os dois últimos sentimentos. “Não podemos esquecer os motivos que fizeram trazer esse jogo a um oceano de distância. É uma pena que uma parte da sociedade queira romper tudo”, afirmou. “Para mim, foi perdida a transcendência dessa partida. Perdi um pouco o interesse”, lamentou. 

DECISÃO POLÍTICA

A punição imposta ao River Plate pelo Tribunal Disciplinar da Conmebol (dois jogos com portões fechados e multa) por causa dos ataques ao ônibus do Boca Juniors no sábado passado foi uma decisão política. 

Essa é a avaliação de advogados especialistas em Direito Desportivo ouvidos pelo Estado. “Em vez de ser autônomo, o Tribunal Disciplinar se mostrou subordinado à Diretoria Executiva da Conmebol”, avalia o advogado André Sica. “Uma decisão disciplinar contra o River Plate, a essa altura, reflete os desejos do que manifestou Alejandro Dominguez, presidente da entidade, quando na verdade deveria basear-se exclusivamente na lei em busca de uma decisão justa. A determinação técnica da mudança da final deveria ter como fundamento a decisão jurídica e disciplinar. Não o contrário”, completa Sica. 

Para o advogado Eduardo Carlezzo, o adiamento da partida final e a escolha de Madri como sede do clássico argentino refletem problemas estruturais do futebol sul-americano. “Uma final da Libertadores disputada na Espanha ou em qualquer outro país fora do continente por razões de segurança é um atestado de falência das instituições esportivas e governamentais sul-americanas, assim como a constatação de que uma parte dos torcedores ainda vive na idade da pedra”, avalia Carlezzo. 

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