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Final sem assombro

Já era o tempo em que Mundial lançava na vitrine craques até então escondidos

Antero Greco*, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 04h00

Logo mais, o mundo do futebol conhecerá a nova seleção campeã, em decisão inédita. A conquista da taça representará para a França o segundo título e a consolidação como força internacional, com a terceira final nas últimas seis edições. Para a Croácia, alcançar o topo será a realização de sonho antes inimaginável – motivo de orgulho para um país com passado recente conturbado. Festa legítima, portanto, seja qual o lado vitorioso.

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Houve méritos de ambas as partes. Os franceses justificaram os prognósticos otimistas com que chegaram à Rússia e podem ter, além do troféu, a escolha de Mbappé como o melhor. Os croatas desembarcaram como força intermediária, correram por fora, esgoelaram-se em três prorrogações e atingem o ápice nesta tarde em Moscou, com um punhado de bons atletas.

Os times mais regulares e eficientes fazem o tira-teima e não há nada a contestá-los. No entanto, se no lugar deles estivessem Brasil, Bélgica, Inglaterra, Uruguai – Suíça e Suécia até –, para ficar em exemplos de quem avançou, também não surpreenderia. Por que? Porque não houve quem brilhasse intensamente, quem destoasse dos demais. Ninguém assombrou, sobrou e soprou novos ares. O 21º Mundial foi homogêneo em táticas e estratégias. Com ligeira variações, as 32 concorrentes apresentaram sistemas hoje usuais. Não é por acaso que representações como Irã, Japão, Coreia deram calor em rivais de mais fama, tradição e história no campeonato.

Todos se conhecem, a troca de informações e experiências é rotineira, os boleiros são colegas de clubes. Sob certo aspecto, isso é bom, pois permite que a seleção de um país pequeno como a da Croácia assuma o alto do pódio. Por outro, esvai-se o elemento-surpresa, parece não haver mais espaço para uma equipe formidável.

 

Tudo está pasteurizado. Da mesma forma, a hegemonia na Copa não significará que franceses e croatas ostentem o melhor torneio nacional na Terra. A Ligue 1 hospeda um milionário Paris Saint-Germain e um punhado de satélites de pequena grandeza. O campeonato croata quem vê, fora os aficionados locais? Antes, os destaques continuarão a bater asas, em direção a centros como Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália, em busca de visibilidade e faturamento.

Não se falará daqui em diante em “escola francesa” ou “escola croata” – conceitos que tendem a caducar até para alemães, brasileiros, argentinos, italianos. Os profissionais, independentemente do país de origem, são moldados para funcionar nas grandes multinacionais em que se transformaram potências como Real, Barcelona, Bayern, Juventus, Manchester, PSG, Chelsea e outros da mesma linha. Importante é que canalizem suor, habilidade, obediência a seus patrões do dia a dia. Já era o tempo em que Mundial lançava na vitrine craques até então escondidos. Os clubes os descobrem com antecedência.

Os brasileiros embarcaram nessa e ficaram iguais aos outros. Até a improvisação, marca registrada dos made in Brazil, virou previsível. Os moços daqui foram “evoluir” na Europa. Não viraram europeus e perderam um pouco do estilo nacional. Vai ser difícil o Brasil ganhar Copa.

*COLUNISTA DO ‘ESTADÃO’ E COMENTARISTA DA ESPN

 

 

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