Wilton Junior/ Estadão
Wilton Junior/ Estadão

Fiscalização no combate à lavagem de dinheiro mira agentes de jogadores

Empresários são obrigados a registrar transações; órgão já identificou operação suspeita

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2018 | 04h30

Empresários de jogadores de futebol estão na mira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda que atua no combate à lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Agentes são obrigados a registrar todas as transações de intermediação, comercialização e negociação dos direitos de transferência de atletas e passaram a ser alvo de análise dos técnicos e conselheiros do Coaf.

 A resolução que regulamenta os deveres dos setores esportivo e artístico entrou em vigor em agosto. Desde então, chamaram atenção do Coaf 33 operações: uma foi considerada suspeita e 32 realizadas em espécie (pagamento ou recebimento em dinheiro de valores superiores a R$ 30 mil).

A atuação dos empresários ligados ao futebol passou a ter destaque no Coaf por conta dos altos valores envolvidos. Este ano, por exemplo, a negociação de 1.466 jogadores (compra, venda e empréstimo) movimentou R$ 1,5 bilhão, de acordo com a CBF. Somente para intermediários, os clubes pagaram quase R$ 80 milhões em comissão.

“O esporte movimenta muitos recursos no mundo inteiro e, em qualquer atividade que tem fluxo financeiro, existem pessoas que tentam usar o sistema para fazer o mal. No Brasil, não é diferente. Isso é uma premissa internacional e o Brasil tem de seguir esse regramento”, disse ao Estado o presidente do Coaf Antonio Carlos Ferreira de Sousa.

Empresários que tenham participado de transações financeiras com “aspectos que não são convencionais” serão autuados para prestar esclarecimentos. “Não estamos falando, necessariamente, de um crime, mas de situações atípicas como, por exemplo, um agente que faz todas as suas transações em um paraíso fiscal. Isso merece mais atenção”, explica Sousa.

O presidente da Associação Brasileira de Agentes de Futebol, Jorge Moraes, reclama das exigências do Coaf. Além de registrar todas as transações financeiras, os empresários têm de manter no sistema do Coaf um cadastro de seus clientes, com descrição da operação, valores, datas, forma e meio de pagamento. “Já fazemos toda a comunicação à CBF e declaramos Imposto de Renda nas pessoas física e jurídica. Então, acho desnecessária uma burocracia a mais do Coaf”, diz.

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