Fla e Flu tem cardiologista na equipe

Os clubes do Rio têm uma postura preventiva e estão atentos a possíveis problemas de coração dos jogadores. Um cardiologista compõe a equipe médica de Fluminense e Flamengo. No Botafogo, há a presença, entre outros profissionais, de um clínico geral, o doutor Erick Sweet, responsável pelo bem-estar do elenco. No Vasco, se for detectada alguma alteração no eletrocardiograma (exame mais comum da prática cardiológica) ou no teste de esforço do atleta, ele é encaminhado a um especialista para avaliação mais detalhada. A seleção pentacampeã mundial também não fica atrás. De acordo com o médico José Luiz Runco, a equipe brasileira dispõe de todos equipamentos necessários para lidar com uma situação semelhante à ocorrida com o zagueiro Serginho, do São Caetano, que morreu durante confronto com o São Paulo, no Morumbi, na noite da quarta-feira. O socorro prestado por profissionais de São Caetano e São Paulo para salvar a vida do jogador foi considerado satisfatório por todos os médicos ouvidos no Rio. "Todos os esforços foram feitos dentro de campo", disse Runco. "Pelo que vi na televisão, o procedimento foi correto", declarou Márcio Cunha, chefe do Departamento Médico do Botafogo. Para ele, o excesso de competições sem qualquer intervalo de tempo para descansar é um sério agravante para a saúde dos jogadores. "Eles não são máquina." As equipes cariocas fazem check-up no elenco uma vez por ano, na pré-temporada, e nunca passaram por situação semelhante à do São Caetano. A tragédia no Morumbi, de acordo com o cardiologista Walter Martins, do Flamengo, vai servir para suscitar uma discussão a respeito da necessidade de todos os clubes brasileiros de futebol disporem em seu quadro médico de um cardiologista. Ele também elogiou o trabalhos dos profissionais de São Paulo e São Caetanto nos momentos dramáticos de Serginho. "Era uma luta em torno de um coração que já havia parado", disse o médico rubro-negro. Martins contou ainda que o Flamengo não tem um desfibrilador, mas possui uma estrutura muito boa na Gávea para socorrer atletas que tenham problemas semelhantes ao do jogador do São Caetano. "Possuímos material de entubação e de ressuscitação, em casos de paradas cardíacas. Além disso, estamos ao lado de um dos melhores hospitais públicos do Brasil", afirmou, referindo-se ao Hospital Miguel Couto. No Fluminense, o médico Michel Simoni conseguiu convencer o presidente do clube, David Fischel, a adquirir o segundo desfibrilador portátil. Simoni é favorável a contratação de um médico, sem vínculo com os clubes, que acompanhe os jogos à beira do campo, portando, inclusive, um desfibrilador. Em sua opinião, os organizadores das competições deveriam tratar do assunto. Para o ortopedista Lídio Toledo, ex-seleção brasileira e atual chefe da equipe médica do Vasco, o clube de São Januário é o melhor equipado clinicamente no Rio e está preparado para tentar evitar tragédias como a do zagueiro Serginho.

Agencia Estado,

28 de outubro de 2004 | 19h12

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