Fla fechou as portas para Romário

Em sua última tentativa para não ser obrigado a pagar US$ 4,32 milhões, cerca de R$ 14 milhões, ao artilheiro Romário, o Flamengo pode ter fechado definitivamente as portas do clube para o craque. De acordo com o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o advogado rubro-negro, José Maurício Ferreira Mourão, alegou em sua defesa que o atacante "denegria" a imagem do clube, não agia de forma profissional, desobedecia seus superiores e se envolvia em "desatinos noturnos, regados a mulheres, festas e badalações", além de brigar com os colegas. Apesar dos argumentos apresentados, o ministro da Quarta Turma do STJ, Sálvio de Figueiredo Teixeira, indeferiu o recurso do Flamengo contra a decisão da Justiça do Rio e deu ganho de causa a Romário, hoje e encerrou a disputa jurídica. Um pedido de suspensão do pagamento da dívida também foi negado. O processo contra o Rubro-Negro começou porque o clube não teria honrado o pagamento total do contrato de imagem celebrado janeiro de 1998, em nome da empresa do artilheiro, a RSF Eventos e Promoções. O Flamengo também alegou em sua defesa que o contrato teria sido celebrado em moeda estrangeira (dólar), contrariando as leis vigentes no País. Acrescentou que a RSF não zelou pela imagem de Romário, ao permitir que, antes de o contrato terminar, ele vestisse a camisa do clube de maior rivalidade, diante das câmeras, "sem o menor pudor". O ministro do STJ refutou os argumentos do Flamengo explicando não existir no contrato uma cláusula obrigando a RSF zelar pela imagem de Romário. De acordo com Teixeira, "é de evidência cristalina que o pagamento se fará em moeda corrente do País, cuja quantidade deverá corresponder a certa quantidade da moeda americana, sem que tal convenção infrinja o disposto no artigo 1º do Decreto-Lei 857/69, ou o artigo 6º da Lei 8880/94". Advogado de Romário neste processo, Luis Eduardo Weaver, disse que desde o início do processo o Flamengo fez acusações contra a moral e as atitudes de craque. Acrescentou ter conversado com o artilheiro hoje e recebeu ordem para executar "imediatamente" a dívida, com o pedido de penhora de bens, passes de jogadores ou a renda de jogos do Rubro-Negro. "Romário é muito participativo e tentou resolver esta questão no início do ano, mas o Flamengo não quis. Agora, ele ficou satisfeito como resultado", contou. Apesar das alegações de que Romário "denegria" a imagem do Flamengo, o clube tentou contratá-lo em julho de 2002 e em janeiro de 2003. Em ambas ocasiões, este processo e um outro, referentes a dívidas trabalhistas, cerca de R$ 10 milhões, foi o principal empecilho para o sucesso das negociações.

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