Fla x Flu decisivo no Maracanã

Neste domingo tem Fla-Flu. O Maracanã vaiestar lotado e um dos dois levará para casa o título da Taça Rio o segundo turno do Campeonato Carioca. O clássico expõe algunscontrastes, o que não lhe tira o brilho. De um lado, o Flamengo,com sua política de austeridade financeira, que luta para manteros salários em dia e aposta nas revelações das categorias debase. Do outro, o Fluminense, clube que mais investiu emreforços para o Campeonato Carioca - contratou 11 no total, forao técnico Abel Braga -, fruto de uma parceria forte com umaempresa de saúde. O Tricolor mostrou progressos no torneio curiosamente apartir da perda do craque Felipe, suspenso por seis meses, e,por causa também de sucessivas contusões no elenco. Por isso,seu treinador se viu obrigado a lançar jovens atletas. Mais doque a sensação de derrotar o rival na final da Taça Rio, apartir das 16 horas, no Maracanã, o clássico é uma boaoportunidade para os jogadores deixarem o nome registrado nahistória dos Fla-Flus, intitulado o mais charmoso do Rio. Quem conquistar o troféu do segundo turno, decidirá otítulo estadual contra o Volta Redonda, em duas partidas, nosdias 10 e 17 de abril. Ainda há um tempero a mais nesse jogo. Para seguir naluta pelo bicampeonato e, ao mesmo tempo, determinar a queda dahegemonia tricolor ao longo das 99 edições do Carioca - 29contra 28 conquistas do Flamengo - , a equipe do técnico Cucaprecisa, primeiramente, eliminar o rival. Nas Laranjeiras, há uma cobrança enorme para oFluminense se sagrar campeão de um torneio expressivo. Nosúltimos sete anos, o clube conquistou a Série C do Brasileiro,em 1999, e o Carioca de 2002, apelidado de "Caixão", emreferência à falência financeira dos clubes e à má administraçãode Eduardo Vianna à frente da Federação de Futebol do Estado doRio de Janeiro (Ferj) - foi um dos torneios mais desorganizadose tumultuados promovido pela entidade. Por essas razões, o apelo do clássico surpreendeu atémesmo as autoridades. Desde sexta-feira, a carga total deingressos (65.760) esgotou-se. Durante a semana, houve conflitosentre policiais militares e torcedores nos arredores do estádiopor causa da quantidade de pessoas em busca dos bilhetes. Emmeio aos tumultos, vários cambistas foram presos. Mas nem tudo é motivo de euforia. O jogo deste domingose ressente da presença de, pelo menos, um craque - aquele que ésaudado com entusiasmo pela torcida de seu clube e hostilizadopela rival, além de ser a principal esperança de gols e delances geniais. Se não há quem assuma o papel principal, sobramcoadjuvantes. Dos pés do lateral-direito Gabriel, do Fluminense,e do meia Fellype Gabriel, do Flamengo, costumam sair boasjogadas. No ataque, haverá um interessante duelo entre Dimba eTuta. Artilheiros por vocação, eles vivem situações diferentes.O atacante rubro-negro é visto com desconfiança pela torcida.Foi contratado a peso de ouro e, até o momento, não fez o quemais se espera dele: muitos gols.Já o artilheiro tricolor, que já defendeu as cores do rival,começou bem a temporada, teve boas atuações e conta com o apoiodos torcedores. "Acho que vou balançar as redes", previu Tuta,acirrando a rivalidade. Na bola, é claro, sem violência.

Agencia Estado,

03 de abril de 2005 | 10h53

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.