Flamengo age sozinho para levar o torcedor aos estádios enquanto CBF e clubes preferem esperar
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Flamengo age sozinho para levar o torcedor aos estádios enquanto CBF e clubes preferem esperar

Clube carioca atropela rivais, dá de ombros para união dos times e pega seu próprio caminho contra a covid-19

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2021 | 16h35

O que fazer com o Flamengo depois que a CBF e os 19 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro decidiram pela não liberação do torcedor nos estádios? A pergunta se faz necessária uma vez que o clube rubro-negro tem uma liminar para atuar dentro do Rio, no Maracanã, com a presença de público em três partidas, uma de cada competição: Libertadores, Copa do Brasil e Brasileirão.

O Flamengo não mandou representante para o encontro na sede da entidade máxima do futebol nesta quarta-feira porque entende que não é a CBF a definir a abertura ou não dos portões no futebol. O Flamengo caminha com as próprias pernas para tudo que deseja, mesmo que isso envolva outras agremiações. Tem sido assim na gestão do presidente Rodolfo Landim.

O Fla esteve com o presidente Jair Bolsonaro em Brasília por ocasião da tentativa de mudar a lei dos mandantes. Agora, com uma liminar nas mãos, começa a vender ingressos para os jogos contra o Grêmio. Serão dois. O primeiro pela Copa do Brasil e o segundo pelo Nacional. Tem ainda a partida diante do Barcelona de Guayaquil, pela Libertadores.

O Flamengo dribla todos os seus parceiros da tabela. Dá de ombros para encaminhamento em comum a todos e age sozinho, lembrando o que fazia Eurico Miranda no Vasco tempos atrás, antes de morrer. Tudo para o Vasco e nada para os outros, este era o lema. Em sua petição, o clube carioca ficará responsável pela organização e envelopamento do Maracanã, fazendo valer todos os protocolos de segurança por causa da covid-19. As três partidas serão em setembro.

O Flamengo encara o desafio como evento-teste. Enquanto isso, os demais 19 clubes chegaram à conclusão que nada muda sobre a matéria em setembro, e que a volta do torcedor ficará para uma nova reunião em outubro quando, espeva-se, a pandemia esteja mais bem controlada.

Mas se o Flamengo pode, por que os outros não podem? Primeiramente porque os times do Rio entendem que não é hora de reunir gente nos estádios. Ainda há muita preocupação com a transmissão do vírus delta da doença. O Rio é refém da pandemia, com crescimento no número de mortes e alguma estabilidade vez ou outra na contagem diária.

Para os dirigentes do Rubro-negro, tudo já caminha para a abertura e não há razão para deixar o torcedor por mais tempo longo dos jogos. O Fla espera arrecadar R$ 10 milhões com as bilheterias nessas três partidas. Não é pouco. Ajudaria qualquer um dos 19 clubes que estiveram reunidos com a CBF. Mas só o Flamengo terá isso.

Não tenho dúvidas de que o Fla virou o time a ser batido em campo. E agora não somente por causa do elenco forte que tem e do favoritismo em todas as competições que joga. Sua diretoria desafia todos os outros times com manobras isoladas nos bastidores. Tem pegado mal. De qualquer forma, não está descartada a possibilidade de a liminar cair. Por enquanto, o clube tem autorização para vender até metade dos lugares no Maracanã.

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