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Flamengo campeão, VAR 'rouba' a cena

Time foi um campeão irregular, em um campeonato onde todos reclamaram da arbitragem

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2021 | 05h00

O Flamengo conquistou o Campeonato Brasileiro mais confuso, imprevisível e com altos e baixos de diferentes equipes em toda a sua história nos pontos corridos. Um certame verdadeiramente louco. Na rodada final, uma atuação constrangedora do goleiro Hugo (falhou nos dois gols) e de todo o time rubro-negro, derrotado pela quarta vez (2 a 1) pelo São Paulo na temporada (11 a 3 no placar agregado). O campeão tem de agradecer ao Corinthians, que segurou o Internacional, que teve um pênalti (bem) marcado, mas a arbitragem anulou por sugestão do VAR. 

Como em 2009, quando foi campeão em incrível arrancada, o Flamengo somente na rodada 37 virou líder e passou a depender somente dele para ganhar seu oitavo título nacional. Um roteiro de incrível semelhança que teve, como há 11 anos, um paulista liderando e caindo. Se naquela ocasião foi o Palmeiras, esta foi a vez do São Paulo, que pelo menos terminou na 4.ª colocação e vai à fase de grupos da Libertadores.

No futebol paulista, o Corinthians se aproximou da zona do rebaixamento e não passou de um coadjuvante, o Palmeiras perdeu tempo com Vanderlei Luxemburgo, ao final rebaixado com o Vasco, e priorizou as Copas, enquanto o Santos foi bem até se dedicar mais à reta final da Libertadores.

Um campeonato que teve Jorge Sampaoli, destaque de 2019 à frente do time santista, como maior decepção no comando do Atlético-MG. O clube fez contratações no atacado, sempre nomes pedidos pelo treinador. Dedicado a um só certame, ele teve tempo para preparar a equipe, mas nunca entregou o esperado. E ainda anunciou seu adeus antes da rodada final.

Já Abel Braga, em baixa depois de três fracos trabalhos, assumiu o Internacional após 20 jogos do time gaúcho no certame. Estava em segundo lugar, quatro pontos atrás do líder, São Paulo. Estreou na Série A perdendo para o desfalcado Santos na Vila Belmiro, dias depois de reaparecer no clube e ser derrotado pelo América-MG, em casa, pela Copa do Brasil.

Na 24.ª rodada, o Inter despencava e já era sétimo, acumulando dois empates e duas derrotas, dois pontos em 12 disputados. Um começo terrível na volta do treinador ao clube onde ganhou até o título mundial. Detalhe: com Eduardo Coudet o time liderou o campeonato a partir da quinta rodada, só perdendo o posto na 11.ª.

Reassumiu a ponta na 17.ª, permanecendo até a 18.ª. Voltou ao primeiro posto na rodada número 30, quando o Internacional já estava na sua arrancada de nove vitórias consecutivas com Abel. Permaneceu na ponta até a 36.ª, mas ao ser derrotado pelo Flamengo na penúltima, cedeu a liderança.

Antes da rodada final, São Paulo e Inter eram os times com mais rodadas na liderança, 14 cada, com sete delas tendo o Atlético-MG em primeiro uma com o Vasco, que agora vai disputar a segunda divisão, e outra com o Flamengo, de campanha, por incrível que pareça, aquém do esperado. Duas trocas de treinadores, lesões e convocações mexeram com a estrutura vencedora de 2019.

Jorge Jesus saiu para comandar o Benfica logo após a conquista do Carioca, vencendo o Fluminense, e o carro saiu dos trilhos. Chamava a atenção o fato de, com o melhor elenco, não liderar com Domènec Torrent, nem Rogério Ceni, até ultrapassar o Internacional no penúltimo passo.

E não faltaram chances, com o time chegando nas imediações da primeira colocação e deixando passar oportunidades ao não vencer suas partidas. Ao final, um campeão irregular, em campeonato onde não há uma torcida que não se ache com motivos para reclamar da arbitragem, para reclamar do VAR.

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