Uanderson Fernandes/Agência O Globo
Uanderson Fernandes/Agência O Globo

Flamengo encerra sócio-torcedor de organizadas e cogita deixar Maracanã

Clube teve acesso às imagens do tumulto ocorrido antes e depois da final da Copa Sul-Americana

Roberta Pennafort, no Rio, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2017 | 22h18

Após os incidentes de violência ocorridos no segundo jogo da final da Copa Sul-Americana entre Flamengo e Independiente, a diretoria do clube carioca anunciou a decisão de encerrar o plano corporativo do seu programa de sócio-torcedor, destinado, basicamente, às organizadas. A revelação da decisão foi apresentada em reportagem da Rede Globo sobre os incidentes na partida da última quarta-feira.

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O Flamengo também disse à reportagem da emissora que cogita não atuar mais como mandante no Maracanã, por falta de segurança. O time já tem realizado vários jogos no Estádio Luso-Brasileiro.

"Se o Flamengo não se sentir em condições para que esses jogos sejam realizados no Maracanã, a gente vai ter que humildemente admitir a incapacidade nossa, do estado, do município, de não conseguir fazer o evento aqui", disse o CEO do clube, Fred Luz.

Flamenguistas que não tinham ingresso para assistir o jogo do time contra o Independiente combinaram a invasão do estádio, forçando diversos portões, comprovam um áudio divulgado neste domingo pela Rede Globo.

"Os caras 'deu' o papo. Nos primeiros tiros de morteiro, pode invadir. Nove horas. No primeiro estouro, invade geral. Caiu a primeira grade, pode correr, é cada um por si", diz a mensagem, que circulou por torcedores pelo WhatsApp.

A Rede Globo exibiu imagens do circuito interno de câmeras do Maracanã. As cenas impressionam pela selvageria e pela falta de organização dos policiais e dos fiscais. As câmeras registraram a derrubada de grades e a correria de hordas de torcedores por passagens estreitas. As imagens evidenciam que as equipes de plantão no estádio eram insuficientes.

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Torcedores foram pisoteados, pularam roletas, foram imprensados em estruturas metálicas. Mesmo quem tinha ingresso teve dificuldade para entrar na hora da confusão. Crianças passaram no meio do gás lacrimogêneo, homens foram agredidos por policiais com cassetetes, e ficaram caídos no chão. Torcidas soltaram rojões. Caixas do bar do segundo andar foram roubados.

A PM informou que não se manifestaria antes de ver as imagens. O Ministério Público declarou que os torcedores identificados serão denunciados à Justiça.

Cenas de violência foram vistas antes e depois da partida, que terminou empatada em 1 a 1, dando o título ao Independiente. Além de gás lacrimogêneo, a polícia usou balas de borracha para dispersar vândalos. Cinco pessoas foram presas em flagrantes.

Pelo menos um argentino e um homem que passava de carro pela frente do estádio, e que atropelou um flamenguista, foram espancados. Na quinta-feira, dia seguinte ao jogo, o clube carioca divulgou nota em que culpou os torcedores que forçaram a entrada e ao policiamento, considerado insuficiente.

A Confederação Sul-Americana de Futebol analisa a possibilidade de aplicar punição disciplinar ao Flamengo, que pode chegar à exclusão do time da Copa Libertadores de 2018.

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