Joedson Alves / EFE
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Flamengo ficou com a Supercopa, mas Palmeiras mostrou que pode, sim, jogar mais

Time de Abel Ferreira pode, e deve, apresentar mais repertório nas partidas

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2021 | 05h00

A falha grave de Diego Alves na saída com os pés no logo primeiro minuto de peleja permitiu a Felipe Melo interceptar de cabeça, servindo Raphael Veiga. Ele se livrou de Willian Arão com grande categoria para abrir o placar. Com 10 de partida o goleiro rubro-negro voltou a errar com os pés. Já o Palmeiras travava o jogo e não apenas fizera um gol como cometera seis faltas e levara dois cartões amarelos naquele momento da partida.

O duelo de estilos estava em campo, a posse de bola do Flamengo procurando se impor e o jogo reativo do Palmeiras, esperando em seu campo mais confortavelmente depois de marcar o primeiro tento do cotejo. Mas não foi só isso. 

Aos poucos o Flamengo ficava mais à vontade em campo, Arrascaeta finalizou com perigo após passe de Isla. Aos 24 minutos Gabigol empatou após rebote da trave e grande jogada de Filipe Luís. O lance começa na roubada de bola perto da área alviverde. O jogo era muito brigado e picotado. Com 26 de primeiro tempo o Palmeiras havia cometido 10 faltas, contra quatro do Flamengo, pelas estatísticas do One Football. Uma evidente estratégia do time paulista naquele momento do confronto.

Aos 29 o melhor contra-ataque palmeirense até então. Breno Lopes recebeu de Wesley e Diego salvou a bola que ia entrando. O claríssimo duelo de estilos proporcionava bons momentos de futebol, sim de bom futebol. Mas nem tudo caminhava na melhor direção. Além de alguns lances mais violentos, as queixas eram exageradas à beira do campo, um nervosismo latente e a tentativa de pressionar a arbitragem do experiente Leandro Vuaden.

Mano Menezes foi para o “Mundo Árabe”, mas seu trono não está vago. Abel Ferreira é o técnico mais reclamão do país na atualidade. Tinha razão, por exemplo, ao se queixar quando Diego deveria levar amarelo após falta dura, mas exagera.

O Palmeiras do português havia cometido 11 faltas e sofrido 6 quando ele foi expulso de campo pela enésima queixa. O que fica ainda mais inexplicável em partida bem jogada e com a arbitragem acertando nos lances capitais. Aos 44 Bruno Henrique teve grande chance após ótimo passe de Gabigol em jogada iniciada por Everton Ribeiro. Weverton fez excelente defesa. Havia equilíbrio até em grandes chances perdidas antes do intervalo.

Mas o Flamengo viraria ainda no primeiro tempo em conclusão estupenda de Arrascaeta, de fora da área, no canto direito, sem dar chances ao goleiro. Uma incrível demonstração de recursos do uruguaio. O jogo era realmente bom.

As entradas de Gabriel Menino e Danilo nos lugares de Zé Rafael e Felipe Melo transformaram o Palmeiras, dominante, com mais posse de bola em boa parte da etapa final (chegou aos 53% pelos números do SofaScore). Naquela etapa final, torcedores palmeirenses certamente se perguntaram: "Por que o time não se propõe a atuar assim mais vezes?" Era uma equipe sem receio de ter a bola, ocupar o campo do adversário e buscar o gol.

Não criava tanto, levando mais perigo em jogadas aéreas. O Flamengo também teve oportunidades, algumas mais claras, mas nitidamente não conseguia se impor como pretendia, como se propõe a jogar, por uma atuação abaixo, mas também pelo comportamento alviverde.

No pênalti tolo de Rodrigo Caio em Rony, após erro de Everton Ribeiro na origem do lance, Raphael Veiga empatou. Nos pênaltis os dois goleiros brilharam e os rubro-negros ergueram o troféu após três "match-points" perdidos, dois do campeão paulista. Mas o jogo de Brasília deixou mensagens. As principais delas: é possível jogar bom futebol no Brasil e o Palmeiras de Abel Ferreira pode, e deve, mostrar mais repertório.

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