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Flamengo toma invertida, tem liminar derrubada, mas continua agindo por conta própria no futebol

Direito de levar torcida em suas partidas é derrubado nesta quinta, mas ainda não há como garantir que dirigentes do time carioca vão aceitar a nova determinação

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2021 | 12h05

Está declarada a guerra das liminares no futebol brasileiro. De um lado, o Flamengo, que quer colocar público nos seus jogos em todas as competições em que for mandante. Do outro a CBF e 17 times da Série A que trabalham para que a rodada do fim de semana do Campeonato Brasileiro seja cancelada caso o clube do Rio abra seus portões para o torcedor. Ocorre que a liminar que dava direito ao Flamengo de fazer três testes com público no Maracanã foi derrubada pelo STJD e agora o futebol do Brasil, que já não anda lá essas coisas, relembra manobras das décadas de 80 e 90 em que as liminares mandavam mais do que técnicos e dirigentes. Era liminar para tudo, até para tirar a punição de jogadores expulsos e que deveriam cumprir suspensão automática.

Ou seja, o Flamengo, com todo seu nariz empinado, leva o futebol para trás. O time da Gávea é o único nesta condição. Atlético-MG e Cuiabá não assinaram a petição para que a liminar fosse derrubada, o que só aconteceu na manhã desta quinta-feira. Ocorre que outras liminares podem ser expedidas até o fim se semana, de modo que não é possível garantir ainda que haverá jogos pelo Brasileirão e que o Flamengo não terá público no duelo com o Grêmio.

A primeira das três partidas que o Flamengo tinha para evento-teste com sua torcida foi jogada na quarta-feira, com 6.500 torcedores a preço de ingresso entre R$ 100 e R$ 900. Não era o que o clube carioca esperava, uma vez que ele colocou à venda 24 mil entradas. O público não compareceu. Além do ingresso caro, havia a necessidade de mostrar teste contra a covid-19 de 48 horas, a preço de R$ 80. Era muito gasto para uma partida que levou a discussão de abrir ou não os portões até momentos antes do jogo. Quem poderia ir, ficou na dúvida. 

Agora, o Flamengo terá de correr atrás de nova liminar para resgatar as diretrizes daquela que foi derrubada, como era no passado. O clube do Rio não abre mão de ter torcida em suas partidas e desdenha os organizadores do evento, no caso a CBF, e seus próprios parceiros, como todos os outros times da competição. O Flamengo trabalha por conta própria, para sua bandeira e sua torcida, e dá de ombros para os demais. Lembra muito o jeito de Eurico Miranda quando estava no comando do Vasco. Ele morreu e o time caiu para a segunda divisão. Não há qualquer preocupação em trabalhar o futebol em conjunto, recuar quando as ideias que têm não são aceitas. O time do Rio não recua. E assim vai colecionando 'inimigos' e desafetos. 

É claro que a instituição fica e o Flamengo sempre será o gigante que é. Mas seus dirigentes já mostraram que não esperam para agir e não se incomodam em agir por conta própria mesmo nas decisões que envolvam parceiros e organizadores. Está errado? Sim, está. Mas também entendo a confusão e bagunça que virou o futebol brasileiro, com uma CBF enfraquecida, sem comando definido e com brigas internas. Era hora de os clubes se reunirem para algo maior e diferente, como uma liga independente ou qualquer outra forma de gerir com mais qualidade para todos. Em vez disso, o que ocorre são novos rachas e caminhos diferentes, pelo menos nesse quesito da volta do torcedor aos jogos. O futebol brasileiro só perde com isso.

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