Flamengo perdoa jogador para se salvar

Em outras épocas, uma batalha judicial entre clube e jogador representava o fim de uma relação profissional. Há três casos recentes no futebol carioca que provam que os tempos são outros. Fluminense, Flamengo e Vasco tiveram de se render à lógica de que não podiam mandar embora atletas de boa qualidade técnica, como Ramon, André Bahia e Fábio, se não havia substitutos à altura no elenco. O jeito então foi perdoá-los ou recorrer a uma manobra, no mínimo, pouco profissional. O zagueiro André Bahia, do Flamengo, está com a cabeça à mil nesta semana decisiva para a permanência ou não do clube na divisão de elite do Campeonato Brasileiro. Por pouco ele não teve de pagar cerca de R$ 5 milhões ao Flamengo, revertido em bens, por causa de quebra de contrato, segundo alegaram os advogados rubro-negros.Deve agradecer à decisão tomada pela juíza Cláudia Pisco, da 43ª Vara do Trabalho, que indeferiu um pedido de liminar do Departamento Jurídico do Fla-futebol. O litígio com o jogador se iniciou no momento em que ele posou com a camisa do Feynoord, da Holanda, com quem acertou contrato.Essa iniciativa de André Bahia desagradou à diretoria, que, apesar de ter liberado o jogador para se transferir ao exterior, não queria tornar pública a negociação. Diante da falta de opções no elenco e do risco de ser rebaixado para a Segunda Divisão, o zagueiro foi reintegrado ao time e atuou com empenho nas últimas partidas. Num caso diferente, a Justiça condenou o Fluminense a pagar indenização no valor de R$ 140 mil para o meia Ramon, jogador do próprio clube. A ação foi movida contra o Tricolor por causa do não pagamento dos salários de Ramon em 2001, quando o atleta atuou por empréstimo nas Laranjeiras.A decisão do juiz Sidney Rosa, da 29ª Vara Cível no Rio, ocorreu na terça-feira. Ramon, um dos principais nomes da equipe, principalmente após a saída de Roger e Romário, tem contrato com o Fluminense até o fim da temporada e ainda não sabe se vai permanecer no clube. Ainda há o caso do goleiro Fábio, do Vasco. Entrou em litígio com o clube, alegando atraso no pagamento de salários, mas perdeu a causa na Justiça. Após ficar cerca de 5 meses longe de São Januário, reviu a decisão e retornou à equipe na semana passada. Sonha ser negociado na próxima temporada. Mas seu futuro agora passará pelas mãos do presidente Eurico Miranda.

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