Flamengo sai na ofensiva contra o COB

A guerra pelos recursos da Lei Agnelo/Piva está declarada. O embate entre influentes dirigentes do futebol e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que promete ser o maior já registrado no esporte nacional, começou. E no primeiro round o comportamento dos oponentes foi distinto. O presidente do Flamengo, Márcio Braga, uma das lideranças pró-futebol, partiu para cima. "Esse assunto gerou polêmica porque estamos indo no bolso deles (COB)", afirmou. Já o presidente do Comitê, Carlos Arthur Nuzman, ficou na defensiva. "Cada hora surge uma versão sobre o tema. Prefiro aguardar a definição para me pronunciar", ponderou. Desde que assumiu o Flamengo, no início do mês, Braga se encontra com as principais autoridades políticas e esportivas do País a fim de conseguir mais recursos para os clubes. O dirigente rejeitou o rótulo de líder de uma campanha a favor das agremiações e lembrou que a "frente" é formada por Corinthians, São Paulo e Vasco. E, dentre os objetivos, a divisão dos recursos da Lei Agnelo/Piva e da Confederação Brasileira de Futebol são os assuntos mais polêmicos. "O problema da Lei Piva é que os recursos estão financiando as confederações e não chegam às federações e clubes, que fazem os atletas", afirmou Braga. A Lei Federal foi criada para "ajudar" o esporte olímpico brasileiro e determina que 2% da arrecadação bruta de todas as loterias federais do País sejam repassados ao COB e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro. Dos 2% repassados ao COB, 85% desse porcentual permanece na entidade e o restante é destinado ao Comitê Paraolímpico. O presidente do Flamengo explicou que considera esse destino de recursos para as entidades algo ilegal. "Destinar recursos públicos direto para entidades privadas, como o COB, apesar de ter fiscalização, não é legal. E a fiscalização é apenas contábil e precisaríamos de acompanhamento de performance", disse Braga. O presidente do Flamengo contou que durante encontro com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, esse o interrompeu algumas vezes para falar com o ministro do Esporte: "Agnelo, o Márcio tem toda razão. O que tem que mudar é a lógica desse processo." Diante do apoio do presidente, o dirigente rubro-negro aproveitou para pedir um novo Programa de Recuperação Fiscal (Refis) para os clubes. Além da divisão do dinheiro da Lei Piva e de um novo Refis, Braga apresentou um projeto de medida provisória para que a CBF seja obrigada a dividir 50% de sua arrecadação com os clubes, entidades de prática e formadoras de atletas de futebol. "A CBF não pode faturar R$ 120 milhões por ano, usando o nome do Brasil, dos clubes e ficar com tudo", argumentou. E Ricardo Teixeira confirmou hoje que vai exigir do COB a sua parcela referente à distribuição de recursos da Lei Piva.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2004 | 20h20

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