Flamengo serve de alerta para cartolas

Sinal de alerta ligado no reino da cartolagem. A decisão do Conselho do Flamengo de afastar do cargo o presidente Edmundo Santos Silva, procedimento inédito na história do clube carioca, abriu um precedente que deve deixar a ?categoria? preocupada. O desmando, a irresponsabilidade e a incompetência na administração do futebol brasileiro chegaram a níveis alarmantes e provocaram um fenômeno curioso. Começam a surgir reações dentro dos próprios clubes, até então considerados antros de impunidade.Somada à Lei de Responsabilidade Esportiva assinada pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que visa moralizar a gestão dos clubes, a reação vai obrigar boa parte dos cartolas a conviver com um autêntico pesadelo: contas em ordem, balanços transparentes e públicos e administração aberta a empresas de auditoria independentes.Em outras palavras, a existência daquele dirigente que se considera dono do clube, figura típica no Brasil, nunca esteve tão ameaçada. Tudo porque a vigilância externa da administração, já há algum tempo intensificada por Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e ações do governo, passa a contar também com a pressão interna dos clubes.Alerta ? Dirigentes da situação e oposição de outros clubes acompanharam com atenção o que ocorreu no Flamengo. ?Sem dúvida alguma, isso que está acontecendo lá no Rio é um sinal de alerta para todo mundo?, afirmou a ex-presidente do Corinthians e uma das lideranças de oposição à atual administração de Alberto Dualib, Marlene Matheus.Nessa linha de raciocínio, a viúva de Vicente Matheus disse acreditar que a Medida Provisória da Responsabilidade Esportiva surge em um momento importante para o esporte, especialmente o futebol. E faz uma observação. ?Além dessa proposta, sugiro que os presidentes sejam remunerados, uma vez que a idéia é que os clubes sejam administrados como empresas.?Na opinião do presidente do São Paulo, Marcelo Portugal Gouveia, daqui para a frente todos os dirigentes deverão ter mais cuidado na administração, pois sabem que estão sujeitos ao impeachment por má gestão. A oposição vai cobrar resultados e a situação passa a conviver com uma ameaça palpável: a destituição do cargo. ?O que acaba sendo positivo para os clubes. Afinal, se as gestões melhorarem, o futebol brasileiro será o maior beneficiado.?Ganha o futebol com a saída de maus administradores e também com a renovação dos dirigentes, segundo o conselheiro Serafim Del Grande, do Palmeiras, vice-presidente de futebol do clube entre 1993 e 1996. ?Depois de dois ou três anos no cargo, os dirigentes passam a tratar o clube como uma propriedade. Fazem o que bem entendem e acham que nada vai acontecer com eles.? O episódio Edmundo Santos Silva, para ele, é um marco. ?Agora, quem não provar competência estará com os dias contados.?Um dos mais empenhados na campanha pela cassação de Edmundo Santos Silva era Kléber Leite, presidente do Flamengo de 95 a 99, que teve a administração marcada pelo excesso de jogadores que passaram pelo clube: 143. Sobre o futuro do clube, o ex-dirigente frisou que a tendência é diminuir os poderes do presidente e deixar a administração sob a responsabilidade de um conselho.Nesta terça-feira, o presidente interino do Flamengo, Gilberto Cardoso Filho, informou que novas eleições serão convocadas em 60 dias.Na contramão da história, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, afirmou que a relação ?Vasco e Eurico? é diferente. ?Não são fatos ou a pressão da mídia que vão mudar a situação no clube. Enquanto eu for presidente, a coisa está preservada?, afirmou o dirigente.

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