Gilvan de Souza/Flamengo
Gilvan de Souza/Flamengo

Flamengo vai do protesto da torcida à euforia em três partidas

Depois de receber uma chuva de pipocas no aeroporto, time se recupera e assume a liderança do Brasileirão

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2018 | 07h00

Há 11 dias, o elenco do Flamengo se preparava para embarcar no aeroporto do Galeão quando foi recebido por uma chuva de pipocas. Os responsáveis foram alguns “torcedores” do próprio clube, indignados com a fase do time. O rubro-negro ficara de fora das finais do Carioca, patinava na Libertadores e tentava contratar um novo técnico havia quase um mês. Em suma, o momento era péssimo. Mas bastaram três jogos com eficiência acima da média para o futebol voltar a ser o centro das atenções, a paz retornar à Gávea e o Flamengo surgir como o time a ser batido neste início de Brasileirão.

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Na vitória por 2 a 0 sobre o Internacional, no domingo, o time carioca completou cinco partidas seguidas sem sofrer nenhum gol. No Brasileiro, são três vitórias e um empate, o que garante ao time carioca a liderança isolada da competição, algo que não acontecia desde o campeonato de 2011.

O bom momento do time contribui para o sucesso como um todo. Enquanto a defesa quase não é vazada, o ataque é o mais positivo do Brasileiro, com nove gols marcados em quatro rodadas. Desse total, o trio ofensivo formado por Lucas Paquetá, Vinicius Júnior e Henrique Dourado foi responsável por seis – cada jogador fez dois gols.

Junto com Vinicius Júnior, Paquetá é o que passa pela melhor fase. Contra o Inter, marcou um bonito gol pegando rebote de fora da área. É o jogador que dá fôlego ao meio-campo rubro-negro, já que é eficiente no desarme e rápido na ligação. “O Lucas vem crescendo, evoluindo. Mais maduro, evoluiu fisicamente, tecnicamente e taticamente”, avalia o técnico Maurício Barbieri.

Barbieri é treinador interino da equipe desde o final de março, quando Paulo Cesar Carpegiani foi demitido após o Flamengo ser eliminado pelo Botafogo na semifinal do Carioca. Integrante da comissão técnica permanente, ele vem se mantendo no cargo porque o clube rubro-negro não conseguiu encontrar um profissional mais rodado. O sonho da diretoria era contratar Renato Gaúcho, do Grêmio – o treinador disse ao jornal Zero Hora que a proposta do Flamengo foi de “dois caminhões de dinheiro” –, mas ele recusou o convite.

Assim, não será surpresa se Barbieri for efetivado no cargo, em movimento semelhante ao que aconteceu há dois anos com Zé Ricardo, hoje no rival Vasco. Apesar disso, ele desconversa. “Sigo fazendo meu trabalho. (Efetivação) é com a direção. Estou treinador do Flamengo e motivado para contribuir com a equipe”, comenta o interino, que ainda não viu a equipe perder sob seu comando.

​TORCIDA

Com a retomada das vitórias, a pipoca jogada no aeroporto deu lugar ao apoio incondicional nas arquibancadas. No domingo, mais de 60 mil pessoas lotaram o Maracanã para a partida contra o Inter. Contra o América, na segunda rodada, o público havia superado as 50 mil pessoas. 

Contribuiu para o sucesso de público nessas duas partidas a despedida de um ídolo – o goleiro Júlio César se aposentou diante do América – e o retorno de outro – Paolo Guerrero voltou aos gramados no domingo após seis meses afastado por doping. Mesmo assim, a tendência é que o Maracanã volte a ficar cheio na quinta-feira, quando o Flamengo recebe a Ponte Preta pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Até ontem, mais de 27 mil ingressos já haviam sido vendidos.

A paz encontrada junto aos torcedores é comemorada pelo time. “Estamos aos poucos reconquistando a torcida”, vibra Vinicius Júnior. O jogador acredita que o apoio vai ajudar na sequência dos bons resultados de campo. “Nós mostramos nos últimos quatro jogos a alegria de jogar futebol . Estamos ganhando confiança com o passar do tempo”, afirma. 

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