Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Flamenguistas fazem memorial em frente ao Maracanã em homenagem às vítimas do incêndio

Obra realizada por grupo de 30 pessoas presta homenagem às vítimas da tragédia no Ninho do Urubu

Marcio Dolzan, do Rio, Estadão Conteúdo

07 de fevereiro de 2020 | 14h00

Os rostos dos 10 garotos mortos há um ano no incêndio no Ninho do Urubu, o CT do Flamengo, agora poderão ser vistos por todos os torcedores que forem ao Maracanã. E tudo isso graças à iniciativa de um grupo de flamenguistas, que grafitou um muro em frente à principal arena do Rio de Janeiro e estádio que todos aqueles jovens atletas sonhavam em um dia atuar.

A pintura de parte do muro que separa a Radial Oeste, via que passa em frente ao estádio, e os trilhos de uma das linhas do metrô carioca começou na última quarta-feira e tem previsão de ser finalizada neste sábado. A obra foi idealizada pelo artista Airá Ocrespo e está sendo executada por ele e por um grupo de 30 flamenguistas.

"A galera queria fazer uma homenagem e eu considerei que era uma coisa muito simbólica, muito marcante", comentou Airá, ressaltando que fez questão de participar do projeto desde que os próprios torcedores também participassem da pintura do grafite. "Eu propus a eles que fizessem essa ação coletiva, deixar o suor de todo mundo, para mostrar que é importante pra torcida, que eles se importam com o que aconteceu, com os desdobramentos, e que eles estão juntos".

Todo o material utilizado foi adquirido através de uma vaquinha feita entre os torcedores, que arrecadaram cerca de R$ 1.500. O dinheiro foi gasto com as tintas, água, lanches e transporte para quem morasse longe.

Um dos torcedores envolvidos no projeto é o vendedor Carlos Motta, de 39 anos. Ele disse que a ideia surgiu em redes sociais e reuniu dezenas de flamenguistas "de vários setores das arquibancadas". O mural - ou "memorial", como eles estão chamando - não tem nenhuma ligação oficial com o Flamengo.

"É um contraponto a essa ideia de ficar falando e discutindo sobre preço da vida das crianças", ressaltou Motta. "O importante para nós é discutir e levantar os sonhos que esses garotos tinham, de serem jogadores de futebol, de jogar no Maracanã, de vestir a camisa do Flamengo, dar uma vida melhor pra família. Esses garotos representam o sonho de quase todos nós".

Além de homenagear os garotos que morreram na tragédia, o memorial é uma forma de os torcedores demonstrarem que não necessariamente concordam com a forma como o clube está tratando a questão. "Sobre a diretoria do Flamengo: levar essa questão dos garotos para discutir na Justiça, fazer comparações com Brumadinho, valores pagos com indenizações em Mariana, a gente não entende que isso seja razoável. A vida das pessoas não tem preço", afirmou Motta.

"Os diretores do Flamengo, certamente, a maioria tem filhos. E qual o preço da vida dos filhos deles? Por que a gente tem que colocar preço na vida do filho dos outros? O clube precisa assumir uma responsabilidade que é sua, independente da culpabilidade de quem quer que seja", concluiu o torcedor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.