Hélvio Romero/Estadão
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Flexível, São Paulo de Fernando Diniz abre mão de ter mais posse de bola

Fica claro que ter a bola sob domínio vai deixando de ser algo inegociável aos tricolores

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

14 de setembro de 2020 | 05h00

Pode parecer mero detalhe, mas Fernando Diniz está mudando. Em 2018, quando herdou o time do Athletico, Tiago Nunes, demitido do Corinthians na sexta-feira, não atirou no lixo o que o atual treinador são-paulino deixou no clube paranaense. Com Diniz, no Campeonato Brasileiro, a equipe trocara 605 passes certos contra a Chapecoense, 624 no clássico com o Paraná, 556 na peleja contra o Palmeiras e 547 na partida diante do Fluminense.

De cara, Tiago fez o índice despencar: 307 no duelo com o Cruzeiro e 229 quando derrotou o Flamengo. O Athletico continuou gostando da bola, saindo sem chutões, mas se transformou em uma equipe mais objetiva. Colocou de lado a interminável troca de passes para resolver as jogadas de maneira mais direta, rápida, deixando o longo manejo da pelota para duelos com times muito fechados.

Diniz não conseguiu fazer essa transição, essa adaptação ao adversário e ao momento, tanto no rubro-negro como no Fluminense, que o contratou em 2019. Mas sábado, nos 2 a 2 contra o Santos, o São Paulo teve menos a posse (45%) e trocou 274 passes certos contra 336 dos comandados de Cuca. Fora de casa e duas vezes à frente do placar, os tricolores tiveram postura diferente do velho padrão de seu treinador.

Sim, Fernando Diniz parece, hoje, menos ortodoxo, tanto que no domingo anterior, quando reencontrou o ex-clube no Morumbi, a posse de bola ficou praticamente empatada, com 49,7% permanecendo com o Fluminense, que trocou 354 passes, apenas três a menos do que o São Paulo. Antes, no Mineirão, em 50% do tempo a pelota foi tricolor e na outra metade do Atlético de Jorge Sampaoli.

Fica claro que ter a bola sob domínio vai, pouco a pouco, deixando de ser algo inegociável para os são-paulinos, que seguem como um dos times que por mais tempo a detêm durante as apresentações, mas sem a postura anterior de seu técnico. Um time que não a rejeita, jamais, e que não se apoiará em ligações diretas e outros recursos tacanhos. Não, a ideia não é virar um time assim.

Na prática, Diniz abre mão, discretamente, de uma característica que era seu ponto positivo e, ao mesmo tempo, negativo. Suas equipes chamavam a atenção pela organização, com jogadores sempre prontos para receber a bola. Mas a troca de passes longa e muitas vezes sem ímpeto, estéril, era utilizada contra elas quando os adversários a tomavam, aceleravam o jogo e marcavam os gols.

O segundo tento sábado, em Santos, foi um bom exemplo desse novo modelo. Gabriel Sara acionou Igor Vinícius em passe profundo. Enquanto o lateral atacava pelo flanco, o mesmo jogador se projetava em velocidade para o interior da área alvinegra, de onde finalizou para as redes. Há algum tempo, possivelmente veríamos a bola girando de pé em pé, lentamente, desde a meia cancha, em geral sem sucesso. O repertório se amplia. Um avanço.

COMPROMISSOS

O Santos já enfrentou todos os times que ocupam as principais posições na tabela de classificação: São Paulo (2 a 2), Flamengo (0 a 1), Atlético Mineiro (2 a 1), Vasco (2 a 2), Internacional (0 a 1) e Palmeiras (1 a 2), os dois últimos fora de casa. Botafogo, Fortaleza, Goiás e Corinthians serão os próximos adversários, mas apenas o time treinado por Rogério Ceni irá à Vila.

O São Paulo, por sua vez, encarou apenas dois desses oponentes, Atlético Mineiro e Vasco, ambos fora de seus domínios, perdendo no Mineirão e em São Januário. Internacional, Coritiba, Atlético Goianiense e Palmeiras serão os quatro rivais que os tricolores terão pela frente nas rodadas mais próximas, sendo que apenas os rubro-negros de Goiânia irão ao Morumbi.

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