Bruno Cantini/Divulgação
Bruno Cantini/Divulgação

Florida Cup une futebol e marketing na pré-temporada dos brasileiros

Clubes do País usam torneio nos EUA para ganhar dinheiro e obter maior visibilidade. Datas dos jogos são conhecidas

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2016 | 06h00

A crise financeira que assola os clubes brasileiros faz com que a pré-temporada deixe de ser apenas um período de treinos e se torne também uma forma de fazer renda, direta e indiretamente, por meio de ações de marketing. Dentro desse contexto, a Florida Cup desponta como um torneio em que as equipes conseguem se preparar bem para o ano e fazer caixa. E a competição terá novidades em 2017.

Em setembro, os organizadores da Florida Cup anunciaram que o torneio será disputado de duas formas distintas, com 14 equipes, seis delas brasileiras: Corinthians, São Paulo, Flamengo, Atlético-MG, Internacional e Vasco. O Estado obteve com exclusividade as datas em que os brasileiros estrearão.  

O primeiro a entrar em campo será o Atlético-MG, dia 11 de janeiro. Em seguida, jogam Flamengo, Corinthians, Vasco, São Paulo e Internacional (mais informações no quadro ao lado).  Atlético-MG e Flamengo vão disputar um torneio de grupos contra equipes alemãs e americanas. Cada vitória valerá um ponto para o país. No caso dos Estados Unidos, os representantes serão o Tampa e por um time que ainda não foi definido.

Já as demais equipes farão um mata-mata. São Paulo e Inter estão na mesma chave enquanto Corinthians e Vasco ficam do outro lado. Assim, será possível, por exemplo, ter São Paulo e Corinthians na final. No total, a competição, que será televisionada para 170 países, vai gerar entre US$ 20 milhões e US$ 30 milhões (de R$ 64 milhões a R$ 96 milhões). Os clubes não terão qualquer custo durante o torneio e ainda receberão pela participação. O valor varia, mas pode chegar perto de R$ 1 milhão. 

“Quanto mais engajado o clube estiver em estimular e monetizar suas propriedades, mais dólares ele conseguirá. Os próprios clubes têm a oportunidade de realizar ações em solo americano, por exemplo com a venda de produtos oficiais”, explicou Ricardo Silveira, sócio-fundador da empresa que organiza o torneio. 

Os organizadores do evento usam a imagem dos clubes e esses podem aproveitar o fato de estar em solo americano para buscar maior visibilidade internacional, novos torcedores e possíveis patrocinadores. “Nos propicia intercâmbio e ações de marketing junto com o nosso torcedor local”, disse Gustavo Herbetta, superintendente de marketing do Corinthians. “No aspecto esportivo, o futebol terá uma boa estrutura e um ambiente favorável para começar bem o ano”, analisou o diretor executivo de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha.

Os organizadores do torneio devem passar a fazer duas edições por ano da competição. A segunda será em julho e deverá ter mais equipes da Europa e dos EUA. Existe a possibilidade de times brasileiros serem convidados, mas, como estará no meio da temporada nacional, a tendência é que fiquem de fora. 

Pela primeira vez, o torneio contará com uma equipe chinesa. O Shanghai, onde jogam o brasileiro Hulk e o argentino Dario Conca, foi convidado, pois a organização visa também o mercado asiático. 

“O maior ganho dos clubes é o intercâmbio técnico e cultural com equipes do mundo todo. E existe uma abertura de novos mercados para negociação de atletas e exposição internacional da marca”, disse Reinaldo Medrano, sócio-executivo da empresa que administra o torneio.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

17 Outubro 2016 | 06h00

O maior desafio para a evolução da Florida Cup é o calendário diferente das competições em todo o mundo. A complexidade em criar datas para que times da Europa, da América e da Ásia consigam disputar o mesmo torneio fez os organizadores desenvolverem uma ideia que pode agradar ainda mais os torcedores: a participação de seleções nacionais.

"Existe essa possibilidade, sim. Por pouco não confirmamos uma seleção na edição de 2017; e seria uma bastante interessante, que se destacou na última Eurocopa", contou Reinaldo Medrano, sócio executivo da empresa que organiza a competição.

O Estado apurou que a seleção convidada foi a Islândia, que surpreendeu na última edição da Eurocopa, quando caiu só nas quartas de final da competição. Por questões de confidencialidade e respeito aos demais participantes, a empresa não pode revelar quais seleções ou equipes são convidadas. A ideia é que sejam seleções de médio ou pequeno porte que se destaquem em algum torneio.

O problema das seleções nacionais, além da dificuldade de datas, é o temor dos dirigentes em ver o país tendo um desempenho ruim na Florida Cup. Enfrentar um clube e ser derrotado, dependendo da situação, pode criar constrangimento para comandantes de algumas seleções. Mas a expectativa em ver um time nacional nas próximas edições do torneio são grandes.

Não existem classificatórias ou uma regra fixa que definem os participantes da Florida Cup. Os convites são feitos tendo como base, a potência mercadológica das equipes, calendários e qualidade técnica.

"Os times europeus, por exemplo, possuem restrição por causa do calendário. A exceção entre as grandes ligas é a Alemanha, pois a Bundesliga até prefere que os times joguem fora da Alemanha, em virtude do frio. No Brasil, o Corinthians participa desde a primeira edição. E se um time do tamanho do Corinthians retorna ao nosso evento é porque ele viu valor agregado", completou Ricardo Silveira, sócio-fundador da empresa que criou a Florida Cup.

Quatro clubes brasileiros já jogaram a competição. Casos de Corinthians, Fluminense (duas vezes cada) e Atlético-MG e Internacional. Para definir os times participantes no ano que vem, muitos clubes brasileiros chegaram a conversar com a empresa. Santos e Palmeiras foram alguns deles, mas as negociações não evoluíram.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.