Flu tira Rincón da "boa vida"

Sem disputar uma partida de futebol desde novembro do ano passado, quando terminou a sua fracassada passagem pelo Cruzeiro, o volante Rincón luta para recuperar a velha forma física numa academia dos Jardins, em São Paulo. A silhueta nem de longe lembra a do líder e capitão que conduziu o Corinthians ao título do Mundial da Fifa, em janeiro de 2000. Está visivelmente gordo. Seu peso ideal é 86 quilos. Admite que está com 91. Diz que chegou a pesar 99. Afirma que tem proposta do Fluminense. O interesse do time carioca - comandado pelo técnico Oswaldo de Oliveira, seu velho amigo do Corinthians - fez Rincón mudar os planos. Assim que rescindiu o contrato com o Cruzeiro, o jogador, desiludido com o futebol brasileiro, foi para Miami, onde tem vários negócios, postos de gasolina entre eles. Queria ficar por lá. Planejava atuar por um time da Liga norte-americana. Seguiria os passos de outro colombiano famoso e polêmico como ele, o meia Valderrama, que joga há anos nos Estados Unidos. "Iria tentar continuar a minha carreira nos Estados Unidos. Se não desse, pensei em ensinar futebol para garotos norte-americanos", conta. O interesse do Fluminense e uma vontade imensa de provar que ainda tem futebol para mostrar no Brasil fizeram ele retardar o fim da carreira. Rincón está determinado a voltar à antiga forma. Todos os dias - orientado pelo preparador físico Evandro Rodrigues - dá duro na Master Academia, freqüentada por artistas como a apresentadora de televisão Monique Evans, o ator Miguel Falabella e a ex-jogadora de basquete e empresária Hortência. São duas horas de exercícios por dia, com prioridade para as corridas na esteira, bicicleta ergométrica e fortalecimento muscular. Só o Santos lhe deve dinheiro, acusa o volante O volante garante que a Hicks Muse não lhe deve dinheiro. "Nem o Corinthians e muito menos o Cruzeiro (que têm contrato de co-gestão com a empresa norte-americana de fundo de pensão) ficaram me devendo. Pagaram tudo direito." O problema é o Santos. "O Santos não me pagou. Continua me devendo muito dinheiro. Não vou falar quanto. Mas é muito", diz, irritado. O volante não se conforma com o procedimento do presidente santista Marcelo Teixeira. "Não merecia o que o Santos fez comigo. O Santos foi o clube que eu mais batalhei para conquistar um título. Só não tive sucesso porque os dirigentes do clube são incompetentes. Fiz a minha parte." A crise atual do futebol brasileiro, na opinião de Rincón, é de responsabilidade dos dirigentes. "A crise não é do futebol. O problema está nos dirigentes, que administram mal o futebol. Não houvesse tanta desorganização e o calendário fosse mais bem elaborado, não teríamos tantos problemas." No ano passado, antes de ser demitido pelo vice-presidente Antônio Roque Citadini, Vanderlei Luxemburgo tentou levar Rincón de volta ao Corinthians. Não conseguiu. Será que o treinador tentaria levá-lo ao Parque Antártica? "Ninguém me falou nada sobre isso." O volante acredita que conseguirá entrar em forma logo. "Não tenho dificuldade para voltar ao peso ideal. Com o trabalho que estou fazendo na academia e as corridas que faço diariamente, em breve estarei em forma." Depois de jogar no Corinthians, de 97 a 2000, e ser bicampeão brasileiro (98 e 99), campeão paulista (99) e campeão mundial (2000), Freddy Rincón só colecionou fracassos. Após uma intensa batalha judicial entre os dois clubes, abandonou o Corinthians e foi jogar no Santos. Na Vila, mais problemas na Justiça do Trabalho, fracassos e nada de títulos. Para ganhar US$ 100 mil mensais de salário, foi para o Cruzeiro, para atuar ao lado de Edmundo, em novembro do ano passado. Acusado por Zezé Perrella, presidente do clube mineiro, de indisciplinado, foi dispensado.

Agencia Estado,

06 Março 2002 | 09h38

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