Flu triunfa após apostar em manutenção de time titular

Tricolor carioca montou elenco caro e povoou o setor ofensivo para ser campeão

DEMÉTRIO VECCHIOLI, Agência Estado

11 de novembro de 2012 | 19h17

SÃO PAULO - Quando foi montar o seu elenco para a temporada, o Fluminense não teve nenhum pudor em superlotar de jogadores caros o seu setor ofensivo. Wellington Nem, revelação do Brasileirão de 2011, voltou para as Laranjeiras como sexta opção ofensiva. Thiago Neves foi contratado a peso de ouro para disputar posição com os badalados Deco e Wagner. Sustentado por um patrocinador forte, a Unimed Rio, que banca a maior parte do salário dos astros e a mantém a saúde financeira, o Flu mostrou que acertou na aposta arriscada e chegou neste domingo ao tetracampeonato brasileiro, com três rodadas de antecedência.

Campeão em 2010 e melhor time do segundo turno do Brasileirão do ano passado, o Fluminense já tinha um elenco capaz de, por si só, fazer bonito em 2012. Ainda assim a diretoria procurou reforços, de forma cirúrgica. Fechou com Bruno para substituir Mariano, e com Jean, Thiago Carleto e Anderson para compor o elenco. Investiu pesado nos meias Wagner e, principalmente, Thiago Neves, tirado do rival Flamengo a peso de ouro. O excesso de jogadores era um problema para Abel Braga resolver.

E o treinador se saiu muito bem nesse processo. Aos poucos, foi liberando aqueles que ficavam sem espaço e descontentes, como Marquinho, Martinuccio, Souza, André Luis, Araújo, Lanzini e finalmente Rafael Moura, o último a sair. Com isso, o elenco, que antes era enorme, ficou enxuto, mas sem perder qualidade. O sucesso das crias de Xerém foi fundamental para que o plano fosse bem executado.

Mesmo com os problemas de lesões - principalmente de Leandro Euzébio e Deco - e suspensões, o torcedor sempre soube de cor e salteado quem são os 11 titulares: Diego Cavalieri; Bruno, Leandro Euzébio, Gum e Carlinhos; Jean, Edinho, Deco e Thiago Neves; Wellington Nem e Fred.

Da segunda rodada até o título ser definido neste domingo, nenhum dos 11 perdeu o status de titular em qualquer momento da competição. O time só foi diferente na estreia, quando Abel poupou seus principais jogadores pensando no jogo da Libertadores contra o Boca Juniors.

O elenco que começou o ano inchado chegou ao título brasileiro com cada jogador sabendo o papel que cumpre no grupo tricolor. Se os titulares estão na ponta da língua do torcedor, os reservas também: Berna; Wallace, Digão, Anderson e Carleto; Valencia, Diguinho, Wagner e Rafael Sóbis. Para evitar que houvessem jogadores encostados (como Rafael Moura, liberado para o Inter em agosto), o restante do grupo era composto somente por crias de Xerém.

Num elenco tão estrelado no início da temporada, os jovens pareciam fadados a atuar por poucos minutos. Mas Abel Braga confiou nas revelações das categorias de base e não teve medo de apostar nos garotos. No seu terceiro título brasileiro, o Fluminense usou como nunca os jogadores criados em Xerém, casos dos laterais Wellington Carvalho e Wallace, dos meias Rafinha e Higor e do atacante Michael, todos convocados recentemente para a seleção Sub-20, além dos atacantes Marcos Júnio, Samuel Rosa e Matheus Carvalho.

Ajudou bastante também o fato de o Fluminense ter sido eliminado ainda nas quartas de final da Copa Libertadores, pelo Boca Juniors, entre a primeira e a segunda rodadas do Brasileirão. Diferentes de outros fortes concorrentes, como Grêmio, Corinthians, Santos e São Paulo, o time carioca não precisou intercalar o nacional com outros campeonatos. Para o ano que vem, a meta é aproveitar a mudança no calendário nacional e brigar por todos os títulos. Elenco para isso o Fluminense já provou que tem.

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