Divulgação / São Paulo
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Fominha do bem, Nenê lidera o São Paulo contra o Paraná

Aos 37 anos, meia-atacante que não gosta de ficar fora dos jogos e tem fama de 'workaholic' no CT vira um dos destaques do Brasileirão

Renan Cacioli, O Estado de S. Paulo

22 Agosto 2018 | 05h00

Mineirão, 29 de julho. Aos 19 minutos do segundo tempo, o quarto árbitro levanta a placa com a substituição no São Paulo, que vencia o Cruzeiro por 1 a 0, pela 16ª rodada. Nenê olha para a lateral: "Eu???", indaga, ao técnico Diego Aguirre. Diante da resposta positiva, fecha a cara e sai contrariado. O gesto não surpreendeu o uruguaio nem a diretoria. No clube, a fama de vaidoso do camisa 10 já era conhecida. O segredo foi utilizar isso a favor do time. 

Nesta quarta, quando o líder do Campeonato Brasileiro inicia sua caminhada no returno contra o Paraná, às 19h30, no Durival Britto, em Curitiba, Nenê estará em campo pela 39ª vez. Desde que estreou, em fevereiro, ele só não participou de dois jogos: CRB-AL (ficou no banco) e Internacional (cumpria suspensão). Ficar de fora, definitivamente, não está nos planos do artilheiro tricolor no ano, com 11 gols, empatado com Diego Souza.

"Não digo que é a pior coisa, mas realmente não gosto de ficar de fora pois dessa maneira não posso ajudar em nada. E me dá nervoso ver os jogos sem poder estar dentro de campo ajudando meus companheiros", admite o jogador, ao Estado.

Nos bastidores, diz-se que durante a negociação para contratá-lo junto ao Vasco, a tal vaidade foi um dos tópicos discutidos. Atual superindentente de relações institucionais do clube, o ex-zagueiro Lugano avalizou: "Pode trazer, deixa que a gente controla". Argumentou que a fama não tinha relação a extravagâncias extracampo, mas sim, a Nenê querer jogar sempre por ser competitivo ao extremo. Característica que poderia ser extremamente útil a servir de exemplo aos demais no grupo.

"A vaidade dele o estimula a treinar mais, ele é absolutamente competitivo. É vaidoso, mas na competição. Quer ser estrela, mas fazendo gol, não só dando entrevista. Quer a bola o tempo todo. É um 'workaholic', trabalha muito", conta à reportagem uma pessoa que convive diariamente com o atleta.

Nenê faz trabalhos à parte no São Paulo

Claro que participar de mais de 95% dos jogos desde que chegou não se dá apenas por vontade ou dedicação. Em campo, o camisa 10 tem correspondido de forma decisiva para que o time esteja no topo. Além dos gols, é um dos principais líderes do elenco.

Além disso, dificilmente se machuca. Fruto de quem trabalha também sem a bola nos pés, quando não está jogando. "Não mudei muito minha rotina, mas claro que algumas coisas temos que ir incrementando no decorrer da carreira. Eu faço alguns trabalhos à parte, como um treino de eletroestimulação, por exemplo. Tenho, sim, essa preocupação de alimentação e principalmente de dormir bem, além de um cuidado maior que no início (da carreira)", explica. 

Nenê é tão fominha que até os nervos, ele parece controlar diante dos árbitros. No Brasileirão, só foi desfalque por suspensão uma única vez. Levou cinco amarelos ao todo. Está jogando pendurado com dois cartões desde a retomada do campeonato pós-Copa do Mundo, diante do Flamengo. Lá se foram sete confrontos e nada de o camisa 10 receber o terceiro.

FICHA TÉCNICA

PARANÁ: Richard; Junior, René Santos, Cleber Reis (Rayan) e Mansur; Leandro Vilela, Alex Santana e Caio Henrique; Silvinho, Carlos e Grampola (Jhonny Lucas). Técnico: Claudinei Oliveira.

SÃO PAULO: Sidão; Bruno Peres, Arboleda, Anderson Martins e Reinaldo; Jucilei, Hudson e Nenê; Rojas, Everton e Diego Souza. Técnico: Diego Aguirre.

Juiz: Pericles Bassols Pegado Cortez (PE).

Local: Estádio Durival Britto, em Curitiba.

Horário: 19h30.

Na TV: Pay-per-view.

 

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