Laurent Gillieron/AP
Laurent Gillieron/AP

Fora da Copa, Blatter diz que vai à Rússia e admite 'saudades do púlpito'

Ex-presidente da Fifa diz que queria Copa de 2022 nos Estados Unidos, mas Nicolas Sarkozy, então presidente da França, a levou para o Catar

Jamil Chade, Estadão Conteúdo

12 Junho 2018 | 08h34

A Copa que está prestes a começar na Rússia será a primeira em onze edições do torneio em que o suíço Joseph Blatter não terá o papel de comandante ou organizador do evento. O ex-presidente da Fifa viajará para Moscou em algum momento do mês e já indicou que não estará na festa de abertura. Mas, em entrevista exclusiva ao Estado, ele confessa: "ficarei com um pouco de saudades de não estar mais no púlpito".

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Derrubado diante do pior escândalo de corrupção da história do esporte, Blatter deixou em 2015 seu reinado depois de quatro décadas como secretário-geral e, depois, presidente da entidade. Investigado, ele passou a evitar viagens e se concentrou em sua defesa.

Ainda assim, o presidente russo, Vladimir Putin, fez questão de lhe enviar um convite. O Kremlin chegou a dizer em 2015 que Blatter merecia o Prêmio Nobel da Paz.

Mas toda a tensão dentro da Fifa estava focada na imagem negativa que a entidade poderia ter diante da presença incômoda do ex-dirigente. Gianni Infantino, presidente da Fifa, insiste que sua gestão "virou a página" da corrupção e que a crise "acabou". Superada a saia-justa, os russos insistem que Blatter é apenas um "velho amigo".

 

Em conversa com a reportagem do Estado, Blatter garantiu que irá ao Mundial. "Eu estarei lá", afirmou. "Será minha 11ª Copa", explicou. O suíço, porém, não esconde uma certa frustração.

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"Claro, será diferente e ficarei com um pouco de saudades de não estar mais no púlpito. Mas o futebol continua a ter um papel importante no mundo. Fico honrado de ter sido convidado", afirmou.

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Seu discurso não deixa dúvidas: para o cartola que um dia foi o homem mais poderoso do futebol mundial, o esporte tem um forte caráter político e mesmo a escolha de sedes havia sido tomada no suposto acordo.

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"Quando tomamos a decisão de levar para a Rússia, havia um consenso de ir para Moscou em 2018 e em 2022 aos Estados Unidos. Pedimos que (os dirigentes) unissem seu esforços e dessem as mãos", disse. "Mas pela intervenção política do presidente da França (Nicolas Sarkozy), isso não foi mais possível", lamentou, numa referência ao fato de que Paris fechou um acordo com o Catar e, junto, levou os votos europeus para o país do Golfo.

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"O futebol ganhou uma dimensão tão grande que o aspecto político não pode mais ser retirado", reconhece Blatter. "Graças ao casamento com a televisão, o futebol ganhou um aspecto econômico enorme, não apenas para a Fifa. Mas para os mercados. Hoje, ele tem uma dimensão política. Na verdade, eu me perguntou se hoje ele é ator na política ou diretor de operações?", completou, enigmático.

 

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