José Patrício/Estadão - 05/01/2015
José Patrício/Estadão - 05/01/2015

Fora da Libertadores, Corinthians cortará gastos

Buscando reduzir folha salarial, clube deve vender jogadores

Vítor Marques, O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2015 | 07h00

A eliminação precoce na Copa Libertadores significa uma mudança de rumo no departamento de futebol do Corinthians. Mudanças drásticas. Essa é a intenção da diretoria depois da derrota para o Guaraní, do Paraguai. Haverá corte de custos e a saída de alguns jogadores cujos contratos estão acabando.

Os contratos de Palo Guerrero e Emerson Sheik terminam em julho, por exemplo, e os de Danilo, Ralf e Fábio Santos no fim da temporada. Atletas que foram contratados no ano passado e que são pouco utilizados, como Petros e Luciano, podem também ser negociados. O Corinthians descobriu que paga muito para alguns jogadores e não tem dinheiro em caixa para tanto.

A folha salarial do futebol beira os R$ 10 milhões mensais, valor elevado para um clube que vive crise financeira como demonstrou o balanço divulgado em abril. O Corinthians ainda deve direitos de imagem e premiações para o elenco, embora tenha pago nesta quinta uma parte da pendência com os atletas. Estima-se que o clube buscou R$ 15 milhões em bancos para saldar a dívida.

Fora da Libertadores, o clube perde premiações da Conmebol e arrecadações milionárias de bilheteria (destinadas ao pagamento do estádio), além da chance de disputar o Mundial da Fifa. "Não é que o quadro fica mais apertado. Apertado ele já está. O que se perde (fora da Libertadores) é um valor difícil de mensurar, é uma série de coisas que o torneio traz", afirma o diretor financeiro Emerson Piovezan.

Segundo ele, a decisão de enxugar o número de jogadores ou a folha salarial fica a cargo do departamento de futebol. "O que eu faço é mostrar a nossa situação financeira e eles trabalham em cima disso." Em meio a esse quadro, dois dos jogadores mais experientes e de alto salário devem deixar o clube. Um deles é Emerson Sheik, cujo contrato termina dia 31 de julho. O vínculo não será renovado a menos que o atacante aceite uma redução de salário. Ele recebe cerca de R$ 500 mil por mês.

O outro é Guerrero. Com contrato que termina dia 15 julho, o peruano pediu alto para renovar, perto dos R$ 7 milhões. E, sem o dinheiro que poderia ganhar na Libertadores, o Corinthians não terá como pagar o que ele quer.

O presidente Roberto de Andrade evitou cravar uma definição sobre o futuro dos dois atletas. "Quando falo de renovação tem de ver os dois lados, o do atleta e do clube. Os valores têm de ser discutidos. E o caso deles não é diferente." A situação de outros três jogadores campeões do mundo (Danilo, Ralf e Fábio Santos) deve ser discutida só no final do ano, quando eles ficarão sem contrato. Petros e Luciano, insatisfeitos por estarem jogando pouco, devem ser os primeiros a sair. "Não dá para falar que esse time será mantido. Será se não vier proposta. Se vier, e for boa para o clube e para o jogador, vamos conversar. Isso vale para todos os jogadores", disse o presidente.

REFORÇO POLICIAL

O dia seguinte à eliminação foi calmo no CT Joaquim Grava. Um único torcedor, que estava de bicicleta, protestou no portão. Ele gritou, chamou a atenção da imprensa e foi embora. No início da tarde, o CT teve a segurança reforçada por viaturas da polícia. Mas o aparato policial foi embora antes de o treino terminar. Pelas redes sociais, o atacante Guerrero discutiu com um torcedor. O peruano foi xingado de pipoqueiro e mercenário e rebateu: "Amanhã te espero no CT. Espero ver você e que fale na minha cara". Mas tudo não passou de uma discussão pela internet.

Os titulares passaram a tarde na academia, em um trabalho de recuperação. Os reservas foram para o campo. No sábado, o time enfrenta a Chapecoense pelo Campeonato Brasileiro. Machucado, Renato Augusto é dúvida. O jogo, às 21 horas, será em Araraquara porque o Corinthians terá de cumprir pena de perda de mando de campo. 

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