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Fora de campo, São Paulo desafina

O São Paulo passou fácil pelo Atlético Sorocaba, sábado, no Morumbi, por 3 a 0, e garantiu vaga nas quartas-de-final do Paulista. Invicto no ano, o time vive fase festiva. A alguns metros do campo de jogo, um pouco acima, nas tribunas e nos corredores do estádio, o clima anda tenso ultimamente, com freqüentes trocas de acusações, brigas e bate-boca. Como explicar? Simples: faltam só dois meses para as eleições presidenciais, as mais turbulentas envolvendo clubes de futebol do País.O racha político tem alguns pontos positivos - como a fiscalização dos atos da diretoria por parte dos oposicionistas -, mas os reflexos são, em sua maioria, negativos. A situação chega a interferir na equipe, como se viu nos últimos anos. "A insegurança política preocupa. Sempre que há troca de comando, acaba havendo mudança no futebol", disse um componente da comissão técnica.Nelsinho Baptista que o diga. Em 2002, fazia bom trabalho no São Paulo. Levou a equipe à semifinal da Copa do Brasil e à final do Torneio Rio-São Paulo. Mas, antes mesmo de disputar as decisões, ficou sabendo que perderia o emprego. O dirigente que o contratou, Paulo Amaral, perdeu as eleições em abril daquele ano. E Nelsinho não contava com a simpatia do vencedor, Marcelo Portugal Gouvêa, que havia prometido a seus eleitores tentar contratar Oswaldo de Oliveira. Assim que eleito, Gouvêa e seu diretor de futebol, à época Carlos Augusto de Barros e Silva, anunciaram que Nelsinho dificilmente permaneceria no Morumbi. O episódio mexeu com os jogadores e com o próprio treinador, que deixou o clube em maio.Cuca garante não estar preocupado com o pleito de abril. Tem prestígio com Gouvêa, que concorre à reeleição. Mas se o dirigente for derrotado... Os adversários não se manifestaram sobre o tema, porém não têm intenção de trocar o técnico, a não ser que os resultados não agradem.A rivalidade entre os chamados cardeais começou a se acirrar há algumas semanas. Numa das reuniões no Morumbi, Juvenal Juvêncio, diretor de futebol, e Pérsio Rainho, conselheiro, tiveram árdua discussão e quase se agrediram fisicamente. Rainho fazia parte da situação e tinha até um cargo no clube. Resolveu, no entanto, mudar de lado no início do ano, pois achava que estava sendo ignorado por Gouvêa. Juvenal, que sempre teve bom relacionamento com o conselheiro, ficou inconformado com sua atitude. Acha que foi ingrato.Há alguns dias, o presidente são-paulino acusou a oposição de estar "plantando notícias" para desestabilizar a diretoria. Paulo Amaral, que deve sair candidato entre os oposicionistas, não gostou e o desmentiu. Amaral, por sinal, vem fazendo críticas a seu trabalho desde 2003. Diz que "Gouvêa vendeu Kaká a preço de banana" e que administrou mal a parte financeira. Amaral, contudo, não é unanimidade entre os adversários de Gouvêa. Márcio Malamud e Marcelo Martines também brigam para serem candidatos.Muitos dos conselheiros nem se cumprimentam, mesmo estando lado a lado, como ocorreu no lançamento da nova camisa da equipe, no domingo retrasado, antes do confronto com o Corinthians. "Ele só mudou de lado porque recebeu dinheiro", disse um cardeal, fazendo referência a um inimigo político que passou da situação para a oposição. A batalha final ocorrerá na segunda quinzena de abril e o presidente para os próximos dois anos deverá ganhar por poucos votos.

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