Carla Carniel/Reuters
Carla Carniel/Reuters

Fora de campo, vitória do Santos: clube agora tem comitê de diversidade

Novo núcleo do time praiano vai planejar ações afirmativas contra racismo, machismo e homofobia; alvinegro fechou parceria com Observatório da Discriminação Racial

João Abel, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2022 | 09h00

Dentro das quatro linhas, a sequência não é das melhores. O Santos, do técnico argentino Fabián Bustos, fez três partidas em sequência em casa e não venceu nenhuma: empates com Ceará e Banfield, e derrota no clássico contra o Palmeiras. Já fora dos gramados, o time da Vila Belmiro anunciou uma importante ação e se tornou o primeiro clube a firmar uma parceria oficial com o Observatório da Discriminação Racial do Futebol.

“Nós já tínhamos um contato com o Santos para ações pontuais e decidimos oficializar essa parceria”, explica Marcelo Carvalho, presidente do Observatório. “A ideia é que isso também abra caminho para associação com outros clubes.”

A união entre o clube e a entidade, que há oito anos se dedica à luta contra o racismo no futebol, é a primeira ação de um novo núcleo criado dentro do Santos: o Comitê de Equidade, Diversidade e Inclusão. No último domingo, os jogadores alvinegros entraram em campo com a camisa do torcedor antirracista.

O comitê surgiu como reação ao enorme número de casos de discriminação, especialmente racial, nos últimos meses, contra jogadores brasileiros. São 35 registrados neste ano pelo Observatório. “Queremos conscientizar e trazer visibilidade a pautas importantes, tanto para os funcionários, quanto para torcedores”, diz Stephanye Lima, advogada integrante do departamento jurídico do Santos.

O processo de composição do comitê foi simples. O clube disparou um e-mail interno para todos os colaboradores, na intenção de descobrir quem gostaria de fazer parte do núcleo. Oito pessoas foram selecionadas. “Houve uma preocupação clara com a composição diversa do comitê, temos negros, LGBTs, mulheres, incluindo uma psicóloga”, detalha Stephanye.

O comitê vai se reunir regularmente para propor ações afirmativas internas e externas que envolvam a marca do Santos, e até eventuais empresas que queiram se associar às pautas.

O ‘Peixe’ não é o primeiro time do Brasil a criar um núcleo do tipo. O Bahia foi pioneiro na criação de seu Núcleo de Ações Afirmativas, no início de 2018. Outras equipes, como Internacional e Cruzeiro, também têm comissões de diversidade. Iniciativas importantes que impactam a estrutura do clube e criam um ambiente de maior tolerância e inclusão no futebol.

“Ainda sentimos que a maioria das equipes propõe ações de maneira reativa. Isto é, quando acontece algum caso específico de racismo, por exemplo”, analisa Marcelo Carvalho. “O Santos, diferentemente, mostrou uma proatividade.”

Diversidade e inclusão viraram tema central em muitas empresas e organizações. Não deve ser diferente nos times de futebol. O Santos mostra seu alinhamento ao tempo presente. 

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