Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Fortalecido, Tite mostra confiança para ficar na seleção brasileira até 2022

Técnico exalta trabalho no cargo e conta com o apoio dos jogadores para permanecer

Ciro Campos, enviado especial ao Rio de Janeiro, O Estado de S. Paulo

08 de julho de 2019 | 04h30

Acompanhado da família, um sorridente e realizado Tite se sentou perto da taça da Copa América na noite deste domingo, no Maracanã, depois de derrotar o Peru na final. A primeira conquista pela seleção brasileira fez o treinador se mostrar capaz de vencer a dependência da equipe por Neymar. O comandante se sente mais fortalecido e ainda mais respaldado no cargo.

Se a eliminação precoce na Copa da Rússia e as atuações ruins nos amistosos colocavam o treinador sob perigo, agora o risco maior é de ele tomar a iniciativa e pedir para sair. "O Tite vem fazendo trabalho excepcional. Todos nós nos sentimos convictos pela maneira como jogamos. Eu fico feliz por ter vencido essa competição e ajudado o Tite", disse o goleiro Alisson.

O apoio público dos jogadores e agora a conquista de um título deixam o treinador mais confiante para seguir seu trabalho. Após bater o Peru, o técnico reiterou o plano de cumprir o contrato com a CBF até a Copa no Catar, em 2022. 

Porém, a saída do coordenador de seleções Edu Gaspar para o Arsenal está confirmada. E outras mudanças podem ocorrer na comissão técnica da seleção, como a saída de alguns outros membros de confiança.

"Há um monte de formas de ganhar, de jogar bem. O que gosto é que somos fiéis a uma ideia de futebol, que é consistente e busca resultados sem abrir mão de criação e, no processo criativo, traduzir isso em gols", comentou o treinador. 

Tite explicou ter aprendido e crescido com as críticas recebidas desta caminhada. "É uma satisfação dividir a alegria pelo título. Eu não encaro crítica como alguém que está contra mim. É do processo democrático na busca por crescimento."  

Por vezes arredio ao ser confrontado com temas polêmicos, o treinador se mostrou plenamente confiante depois do jogo deste domingo. Tite até quebrou o rígido protocolo da entrevista ao pedir para o encontro se alongar e até contrariar o fiscal da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) responsável por mediar e escolher quem fazia as perguntas.

Quando um jornalista estrangeiro lhe perguntava em inglês sobre a presença de Jair Bolsonaro no estádio, o fiscal interrompeu a pergunta e pediu para o tema ficar restrito ao futebol. Tite o contrariou e fez questão de responder. "Eu fico tão envolvido no futebol, tão envolvido nas situações... Meu foco, é naquilo que tenho de essência, que é futebol, que é no campo, na minha conduta, na minha ética. As outras situações ficam à parte", comentou.

O treinador evitou abordar o futuro da seleção brasileira. Segundo ele, o momento é de desfrutar do título e aproveitar da tranquilidade para fazer, quem sabe, a convocação de novatos na lista para os amistosos em setembro. O que Tite mais quer como legado da Copa América é a força coletiva do time, que, mesmo sem Neymar, encontrou forças para despertar novos protagonistas, como Everton. "O Neymar é extraordinário. Mas o trabalho de equipe é importante. Pelé se machucou em 1962 (na Copa do Mundo) e Amarildo entrou. Portugal foi campeão da Euro sem o Cristiano Ronaldo em campo. É assim", completou, ao ressaltar a coletividade do time.

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