Thais Pontes/Fortaleza
Thais Pontes/Fortaleza

Fortaleza vai reduzir o salário do elenco em até 25% durante a crise do coronavírus

Primeiro clube brasileiro a anunciar a medida irá mexer nos vencimentos relativos aos meses de março e abril

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2020 | 13h39

O Fortaleza anunciou nesta sexta-feira ter chegado a um acordo com jogadores e funcionários para reduzir os salários temporariamente enquanto o calendário do futebol estiver suspenso para evitar o contágio pelo novo coronavírus. O primeiro clube brasileiro a fechar o pacote de mudanças terá como alterações principais uma diminuição de até 25% dos salários de março e de abril.

O acordo fechado com o elenco prevê que 25% do salário referente ao mês de março só será pago após a crise passar. Sobre o mês de abril, os atletas abriram mão definitivamente de 10% dos vencimentos e outros 15% só serão recebidos depois da paralisação terminar. Dirigentes executivos remunerados também vão enfrentar reajuste, ao receber 15% menos dos salários de abril.

A iniciativa é uma forma do Fortaleza reduzir os prejuízos e não ter de promover demissões enquanto a paralisação do calendário afeta a entrada de receitas como bilheteria de jogos e patrocínios pontuais. "Quando surgiu o problema da pandemia, a gente tem uma preocupação com o clube de como sustentar e manter a estrutura. Mas acima de tudo a preocupação com as pessoas mais humildes, os funcionários, para tentar achar um caminho para que não tivesse demissões", disse o presidente do clube, Marcelo Paz.

O Fortaleza realizou o acordo após a série de tentativas de negociações coletivas não terem resultado. Nos últimos dias, a Comissão Nacional de Clubes (CNC) e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) não chegaram a um acordo capaz de unificar as condições das equipes das quatro divisões do futebol nacional. Por isso, a partir de agora cada equipe terá conversas individuais com os elencos.  

"Tinha uma situação de uma negociação nacional com os clubes, mas a partir do momento que entenderam que cada clube poderia negociar individualmente com os jogadores, fomos conversar com os nossos jogadores. Eles foram sensíveis, entenderam e fizeram, inclusive, o pedido para que preservassem empregos", explicou o presidente do Fortaleza. 

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'Talvez possa inspirar outros clubes e empresas a fazerem o mesmo'
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Marcelo Paz, Presidente do Fortaleza

O único acordo selado coletivamente entre clubes e a entidade que representa os jogadores é o da concessão de férias de 20 dias, válidas a partir de 1º de abril. Os demais temas como redução salarial, férias de fim de ano e acerto com os demais funcionários ficam a cargo de cada diretoria.  "Talvez isso (a redução feita pelo Fortaleza) possa inspirar outros clubes e empresas a fazerem o mesmo. O objetivo foi criar uma rede de proteção", acrescentou.

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