Foto custou mais que direitos de Dorval

Os advogados de Dorval Rodrigues e Antonio Wilson Honório, o Coutinho, ambos ex-companheiros de Pelé no Santos, ganharam mais um foco de argumentação contra a Pelé Sports e Marketing (PSM). O montante que a empresa de marketing nogociou com cada um deles - R$ 3 mil -, referentes à cessão dos direitos de imagem para uma campanha da Coca-Cola, é inferior até mesmo ao desembolsado na compra da foto que ilustra o material publicitário. "Eles (PSM) me pagaram R$ 4 mil", afirmou o autor da fotografia, José Dias Herrera.Aos 82 anos, o repórter fotográfico, que na época do registro da imagem trabalhava no jornal A Tribuna de Santos, contou que foi procurado por pessoas ligadas ao escritório da PSM em Santos. "Pediram pela foto, mas em momento algum me disseram que era para uso em publicidade", observou. "Eu pensei que fosse para divulgação, publicação em jornais e revistas, e não publicidade."Ao ser informado de que o resultado de seu trabalho está vinculado a uma campanha comercial, Herrera decidiu que vai solicitar uma reunião com Pelé "logo que ele esteja em Santos". Sua idéia é fazer um novo acerto financeiro. "Espero que ele (Pelé) tenha consciência da situação e negocie, pois somos velhos amigos."É verdade. No fim da década de 50, Herrera acompanhava o Santos nas constantes excursões internacionais que o time fazia. Numa dessas, fez a foto na qual Pelé, Coutinho e Dorval aparecem com uma garrafa do refrigerante na mão e, por isso, se transformou em alvo da polêmica. Ele só não sabe precisar o lugar onde estavam. "Acho que foi em Paris."Segundo o advogado de Dorval, José Fernandes Medeiros Limaverde, que já entrou com uma ação contra a PSM, como revelou a Agência Estado no sábado, essa informação pode reforçar sua tese. "Como pode uma fotografia valer mais do que o direito de imagem, por três anos, de dois jogadores consagrados?", questionou. "Não há critérios claros."Unicef - Pelé reiterou nesta segunda-feira, em sua página na internet, que vai exigir que os responsáveis pelo desvio de US$ 700 mil da Unicef da Argentina sejam punidos pela Justiça. "É mentira que eu recebi dinheiro", disse. "Ajudo a Unicef a mais de 32 anos e jamais toquei em um centavo da instituição." O evento promovido pelos argentinos não foi realizado, mas suspeita-se que a empresa de Pelé tenha ficado com o dinheiro.

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