FPF cancela estréia do Bandeirante

O Bandeirante já está sentindo na pele os seus protestos contra a Federação Paulista de Futebol pela sua exclusão da Copa do Brasil. Trocado pelo Bragantino, o clube de Birigüi cobra uma posição mais imparcial da FPF. Mas suas reclamações geraram uma represália imediata da entidade, que cancelou a sua estréia diante do São José, inicialmente, previsto para domingo, em Birigüi. Este jogo marcaria a estréia do time no CampeonatoPaulista da Série A-2.O clube recebeu, nesta quinta-feira cedo, um comunicado por fax da entidade comunicando o cancelamento do jogo, sem uma justificativa. O estádio Pedro Marin Berbel foi vistoriado por representantes da FPF na terça-feira, mas, segundo os dirigentes do clube, não existe nada de anormal no estádio que teria, inclusive, capacidade para 17 mil espectadores. O novo laudo acusa que o estádio comporto 9.800 torcedores, 200 a menos do que o mínimo necessário para mandar seus jogos na Série A-2 e também na Copa do Brasil.Além disso, a assessoria de imprensa informou apenas que o clube tem uma pendência com a entidade, mas não revelou seu valor. Em Birigüi, o presidente Ademir de Oliveira admitiu que, quando assumiu o clube, havia uma pendência de R$ 63 mil de taxas e multas, além de um valor de Fundo de Garantia, que foi parcelado. "Desconheço que exista uma dívida agora, mas de qualquer forma tenho um prêmio de R$ 150 mil a receber", comentou.Os torcedores de Birigüi estão revoltados. Além da exclusão na Copa do Brasil, vaga prometida pelo título da Copa do Interior ano passado, o Bandeirante ainda não recebeu o prêmio pelo título, inicialmente previsto de R$ 150 mil. Oliveira lembra que vai cumprir o acordo de cavalheiros firmado com o União Barbarense, vice-campeão, para a divisão dos prêmios. O Bandeirante, então, ficaria com R$ 125 mil e o Barbarense com R$ 75 mil. "Isso eu vou cumprir, porque sou um homem de palavra", prometeu Oliveira. Ele evitou comentar os problemas do clube sem antes conversar com Eduardo José Farah, presidente da FPF. Oliveira, com certeza, teme mais represálias ao clube, mas garante que pessoalmente não está preocupado . "Não dependo do futebol. Sou um micro-empresário, mas tenho uma vida simples e honesta".Oliveira assumiu a presidência do Bandeirante há nove meses. Na época o clube estava com três meses de salários atrasados. Ele sanou as dívidas do clube, imprimindo uma administração dinâmica e profissional, sempre apoiado pela imprensa, dirigentes e torcedores.O Bandeirante Esporte Clube é um dos clubes mais tradicionais do interior paulista. Atingiu seu auge em 1986 quando conquistou o título da Segunda Divisão paulista e disputou o Campeonato Paulista ao lado dos clubes de elite. Mas, sem estrutura, não conseguiu se manter na primeira divisão. Ano passado disputou a Série A-3 - terceira divisão - e garantiu o acesso para a Série A-2. Sua torcida é entusiástica e comparece em grande número ao estádio. Sua média de público é de quatro mil torcedores. A cidade , agora, está indignada e temendo pelo futuro do clube.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2002 | 18h24

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