FPF começa a preparar o Paulista-2005

O atual presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Marco Polo Del Nero, se esforça para marcar suas diferenças em relação ao antigo dirigente, Eduardo José Farah, do qual era vice. Nesta segunda-feira pela manhã, a entidade abriu suas portas à imprensa esportiva com o propósito de discutir sugestões para a montagem da tabela do Campeonato Paulista de 2005. Após mais de duas horas de debate e depois de ouvir reclamações sobre o distanciamento com que os jornalistas vinham sendo tratados, Del Nero informou que deve ser inaugurada dentro de 15 dias a nova sala de imprensa da FPF, na qual, garante, os repórteres terão total liberdade para trabalhar. A sala receberá o nome Tuca Pereira de Queiroz, uma homenagem ao repórter que trabalhou durante 15 anos no jornal O Estado de S. Paulo e morreu em 1998, aos 55 anos, depois de ter participado de várias coberturas esportivas nacionais e internacionais. Na gestão de Farah, cobrir a entidade máxima do futebol paulista era uma prova de resistência. Os repórteres eram barrados na porta da suntuosa sede da Federação, na Barra Funda, zona oeste da capital. Raramente conseguia-se falar com o presidente e, quando obtinham êxito, eram conduzidos por portas, corredores e mais portas até a luxuosa e intimidadora sala do dirigente. Funcionários do prédio contam que uma das primeiras providências de Del Nero ? ele assumiu em julho de 2003 ? foi reformar tal estrutura para tentar minimizar o aspecto de ?bunker? da FPF. O antigo cômodo escuro recebeu iluminação e algumas peças decorativas foram retiradas. Uma reunião como a desta segunda-feira seria inimaginável nos 15 anos em que Farah foi o comandante. Não dá para adiantar, no entanto, que Del Nero, há 18 anos ligado à entidade signifique qualquer tipo de renovação. Mais diplomático, certamente. Mais democrático? O tempo vai dizer. Regulamento ? Entre as propostas apresentadas, duas se destacaram. A maior parte dos jornalistas defendeu o campeonato por pontos corridos e uma eventual final apenas se a diferença entre o primeiro e o segundo colocado não ultrapassar 3 pontos. Tal regulamento esbarra, no entanto, em um fator: apenas 20 datas estão disponíveis para o Estadual e, como são 20 equipes, não seria possível um returno, o que poderia deflagrar algumas injustiças durante a competição. A segunda idéia e também a mais polêmica foi a de ?copiar? a fórmula da Copa do Mundo. Desta forma, seriam feitos quatro grupos (cada um em uma cidade sede), com cinco equipes cada. Em cada chave, as equipes jogariam entre si em turno e returno e passariam dois classificados, inteirando oito nas quartas-de-final ? que assim como semifinal e final seriam disputadas em jogos de ida e volta. Nada ainda está acertado. Certo apenas é que cairão quatro equipes a partir de 2005. A FPF pretende ouvir ainda jogadores, técnicos e representantes do mercado publicitário antes de fechar a forma de disputa do Estadual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.