FPF e Estatuto frustram promoção corintiana

O Estatuto do Torcedor - e a própria Federação Paulista de Futebol (FPF) - frustraram a promoção de ingressos que o Corinthians pretendia fazer no jogo que pode derrubar o time para a segunda divisão do Campeonato Paulista, domingo, contra a Portuguesa Santista, no Pacaembu. Depois de articular com a FPF uma redução de 50% no preço dos ingressos; e com a Pepsi, sua patrocinadora, uma promoção especial para o tobogã (atrás do gol dos fundos), o assunto voltou à estaca zero depois que o presidente da Federação, Marco Polo Del Nero, descobriu o impedimento legal do Estatuto do Torcedor. Além disso, a FPF recebeu pressão dos outros clubes que bancaram a medida impopular do preço mais caro dos ingressos. Nesta quarta-feira pela manhã, conforme antecipou a Agência Estado na terça-feira, a assessoria de imprensa do clube chegou até a anunciar os novos preços dos ingressos: arquibancadas a R$ 10; arquibancadas laranjas (no centro do estádio a R$ 15; e numeradas cobertas a R$ 25. No tobogã, o torcedor não pagaria ingresso desde que levasse três latinhas vazias de refrigerantes da marcas Pepsi, até um limite de 5 mil - a capacidade total daquele setor. Ouvido pela Agência Estado, na véspera, o próprio Marco Polo Del Nero, sem levar em consideração o Estatuto do Torcedor, chegou a dizer que a FPF estudaria uma promoção para reduzir o preço dos ingressos se o Corinthians apresentasse uma proposta. O clube de fato apresentou. Só que nesta quarta-feira, ao meio dia, Marco Polo mudou o discurso, dizendo que seria impossível ?baratear? os ingressos. "É impossível, não há a menor possibilidade", afirmou o dirigente, contrariando aquilo que havia dito à Agência Estado na terça-feira. "A decisão é irreversível. Só se a Pepsi comprar todos e bancar a promoção. Até já mandamos confecionar os ingressos." O presidente da FPF chegou a se desculpar pela declaração dada à Agência Estado, na véspera, mas disse que não tinha como conciliar os interesses do Corinthians e do próprio Campeonato Paulista. "Peço até desculpas a vocês por dizer que seria possível estudar uma promoção do Corinthians. Mas, ouvindo outras pessoas, concluímos que não seria possível conciliar os interesses de todo mundo. O próprio Dualib, que almoçou aqui comigo nesta quarta, entendeu a situação." De sua parte, o Corinthians dava como certa a redução no preço dos ingressos e a promoção da Pepsi. O vice-presidente Antonio Roque Citadini chegou a ligar para a Gaviões, na terça-feira à noite, confirmando a promoção para Ronaldo Pinto, presidente da organizada. Nesta quarta, mesmo contrariado com o impedimento da Federação, Ronaldo prometeu interromper o boicote ao Campeonato Paulista. "Com ou sem promoção, vamos lotar o Pacaembu. O momento do time é delicado e a Gaviões não vai abandonar o Corinthians num momento tão difícil." Salvar o time da segundona virou ponto de honra também para a torcida. Mas em sua conversa com Citadini, por telefone, o chefão da Gaviões disse que a torcida vai cobrar uma resposta da diretoria em relação ao futuro da equipe. "O próprio Citadini pediu para a torcida colaborar, dizendo que a prioridade, no momento, é salvar o time do rebaixamento.Mas a partir da semana que vem, a diretoria vai ter que se explicar.?

Agencia Estado,

10 de março de 2004 | 18h12

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