FPF financia estádio para Corinthians

No momento em que os advogados do Corinthians discutem com os da Hicks Muse o fim da parceria celebrada em 1998, inesperadamente surge o consórcio Federação Paulista de Futebol (FPF)-SC Corinthians Paulista para ampliação e modernização do estádio Alfredo Schurig, reformado na última gestão de Vicente Matheus, no final dos anos 80 e início da década de 90 e cuja utilização, até para jogos de porte médio, era considerada inviável pela atual administração, em razão da falta de estacionamento e da proximidade do alambrado com o gramado. A participação da entidade, com R$ 10 milhões, foi aprovada na Assembléia Geral da entidade, quinta-feira, e desagradou grandes clubes, como o Palmeiras e o Santos. Com essa decisão, o presidente da FPF, Eduardo José Farah, passa a ter um forte aliado na luta para impedir que o Campeonato Paulista deixe de existir para dar lugar a um Campeonato Brasileiro mais longo, como querem alguns setores do futebol.O projeto de reforma e modernização do estádio Alfredo Schuring prevê a construção de um lance completo de arquibancadas, de camarotes, de estacionamento, numeração de todos os assentos, ampliando a sua capacidade, que é de 18 mil lugares, para 30 ou 35 mil. A decisão da Federação Paulista de Futebol (FPF) de investir R$ 10 milhões na obra parece ter pego até o Corinthians de surpresa. A novidade fez até com que o vice-presidente de Futebol, Antônio Roque Citadini, reaparecesse. Ele assistiu ao coletivo desta sexta-feita pela manhã, no Parque São Jorge, e depois, entusiasmado, defendeu a iniciativa. "Não há nada de estranho nesse acordo porque a FPF tem um fundo para reforma de estádios. Será um investimento em infra-estrutura do esporte, que está abandonada pelo governo. Em todos os países, os estádios são construídos e reformados pelo governo. Aquelas maravilhas que vimos na Copa do Mundo foram obras dos governos da Coréia e do Japão. Só que houve precipitação na divulgação da informação. A notícia só deveria ser dada quando fossem iniciadas as obras", afirmou. Citadini esclareceu que os R$ 10 milhões da FPF são apenas parte do investimento e que não se trata de uma doação da entidade ao Corinthians. "O retorno será através da comercialização de camarotes e cessão de espaços, sob contrato e com prazo determinado, para a exploração da publicidade estática. Haverá correção dos valores, mas nem sei de quanto será a taxa de juro", disse Citadini, lembrando que não é a primeira vez que a FPF participa de reforma de estádios particulares. "Ela ajudou na colocação dos amortecedores no Morumbi." O dirigente não sabe como vai ficar o projeto de construção do estádio moderno, estilo arena, na área adquirida pela Hicks Muse na rodovia Raposa Tavares. Mesmo com o iminente rompimento do contrato de parceria, o fundo de pensões norte-americano e o Corinthians pareciam dispostos a tocarem juntos o projeto. Agora, podendo mandar seus jogos mais importantes no Pacaembu e dispondo de seu próprio estádio, a idéia pode ser abandonada. Sobre o terreno que recebeu da Prefeitura em Itaquera, Citadini diz que o clube jamais pensou em construir um estádio no lugar. "O que a Prefeitura deu ao Corinthians em Itaquera foi um enorme buraco, que nós transformamos num terreno, onde construímos o Centro de Treinamento mais moderno da Capital. Quanto à área que o Corinthians teria tomado da Prefeitura no Parque São Jorge o que ocorreu foi exatamente o inverso. A Prefeitura pegou parte do nosso terreno para construir a Marginal. É só lembrar que o departamento de remo do Corinthians era na margem do Tietê. Portanto, se o Corinthians quiser, pode até cobrar pedágio na Marginal", brinca Citadini. Carlos Alberto Parreira, cujo contrato termina no fim do ano, considera importante que o Corinthians passe a ter o seu estádio. "O adversário já fica preocupado só em saber que vai ter que jogar no estádio do Corinthians. É diferente, impõe respeito." Entre os jogadores, o que mais gostou da notícia foi o garoto Gil. "A maioria dos nossos jogadores mora aqui perto e está acostumado com o Parque São Jorge. O estádio é bem localizado e muita gente nem precisa de condução para vir assistir aos jogos. Vem a pé."

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