Reprodução | 09.04.2015
Reprodução | 09.04.2015

FPF pede revogação da torcida única em São Paulo, mas MP nega

Ministério Público não parece disposto a atender pedido da entidade

ALMIR LEITE E VÍTOR MARQUES, Estadão Conteúdo

08 de abril de 2016 | 19h52

O Ministério Público não tem a intenção de rever a adoção de torcida única nos clássicos do futebol paulista. A medida foi tomada no início da semana em resposta às brigas entre torcedores de Palmeiras e Corinthians ocorridas no domingo e que resultaram em uma vítima fatal. A Federação Paulista de Futebol (FPF) pediu a revogação, mas o MP não está disposto a atender.

Pela resolução, clássicos paulistas terão apenas a torcida do clube mandante nos estádios até o fim deste ano. Isso poderá começar a ocorrer já nas semifinais do Estadual, daqui a duas semanas. Para a federação, tal medida não ajudará a combater a violência e ainda vai trazer prejuízos ao futebol. Por isso, defende a revisão desse posicionamento.

A solicitação da FPF foi enviada nesta sexta-feira ao promotor Paulo Castilho, do Juizado Especial Criminal (Jecrim) e do Juizado do Torcedor, defensor da torcida única. O representante do Ministério Público, porém, garante não cogitar o rever a medida. "Como rever? É uma questão de política de estado, o Ministério Público não decidiu sozinho", disse ao Estado de S. Paulo. "A posição (do MP) está fechada com o doutor Alexandre de Moraes (secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo)."

A Federação Paulista decidiu lutar contra a determinação de torcida única após conversar com alguns dirigentes de clubes. Disse entender que a medida tem intenção de coibir ações de vândalos, mas a considerou inócua. "A FPF não enxerga nesta decisão a solução para os recorrentes encontros violentos entre torcedores, que geralmente são registrados em locais distantes dos estádios"?, justificou a entidade por meio de nota.

PREJUÍZOS - Outra queixa da federação é que tal punição prejudicaria todos os torcedores, o que traria prejuízos para o futebol. Castilho discorda. "Não dá prejuízo nenhum. Os torcedores (comuns) já cansaram de declarar que, se for torcida única, eles ficam mais à vontade para levar mulher e filho", rebateu.

O promotor também afirmou que nos casos em que a torcida visitante tem direito a 10% da carga de ingressos, estes raramente chegam às mãos do torcedor comum. "Só vão integrantes de torcida organizada, homem e da linha de frente (da organizada). Eles não deixam nem mulher nem criança, porque já vão para arrumar confusão", disse o promotor. "A verdade é que queremos punir a torcida organizada."

Ele lembrou que a torcida única foi apenas uma das medidas adotadas para tentar conter a violência. No pacote apresentado na segunda-feira, também foi estabelecida a venda online como uma maneira de comercialização de ingressos, o cadastro prévio dos torcedores e a proibição da torcida de levar faixas e adereços às arenas (em todas as partidas).

Para o presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, a torcida única não acabará com a violência: "Vejo isso com bastante tristeza. Apesar de ser uma determinação e isso a gente não discute... Mas se fosse a solução do problema, faria supercontente. Não será. Não é proibindo as pessoas de irem ao jogo que vai acabar a violência, já que ela é praticada nos arredores", disse. "Quem garante que os mesmos torcedores não vão se encontrar em qualquer esquina?".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.