FPF promete ser rigorosa com árbitros

?Depois da casa arrombada, a gente começa a pôr grade, alarme...? A frase é de Marco Polo del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol, ao falar sobre as medidas que pretende implantar no departamento de arbitragem da entidade a partir de 2006, para evitar que se repitam casos como o de Edílson Pereira. A intenção é que os novos árbitros tenham diploma universitário e façam exame psicotécnico como parte das condições para ser aprovados; a vigilância será intensa. A FPF criou na semana passada uma corregedoria, que terá como chefe o delegado aposentado Bento de Abreu. Uma de suas principais atribuições será a verificação da autenticidade dos documentos entregues pelos árbitros. ?Ele trabalhou na delegacia de crimes contra a fé pública, ou seja tem experiência suficiente para lidar com este tipo de situação?, disse Del Nero. Abreu montará uma equipe de investigadores, que passará pente-fino na vida dos juízes. ?Será feita uma devassa?, adianta o dirigente. ?E tenho certeza de que os bons juízes não se sentirão incomodados. Todas as profissões são fiscalizadas. Não há problema.? Também foi criada uma ouvidoria de arbitragem, que vai receber, analisar e investigar reclamações de torcedores e dirigentes. O ouvidor será o ex-árbitro Silas Santana, tenente-coronel da reserva da PM. ?Ele ainda não sabe disso, pois não o convidei, mas considero que é a pessoa certa para esta função?, entende Del Nero. O presidente da FPF definiu como ?retrógrado? o método de funcionamento da comissão de arbitragem nas gestões passadas e disse que já fez algumas mudanças, antes de estourar o escândalo. ?A comissão passou a ser formada por dois representantes dos árbitros, um do sindicato dos clubes, um dos atletas e por um membro da FPF?, contou. ?O objetivo é dar mais transparência.? Del Nero espera, depois que passar o furacão, fazer alterações em outros departamentos da FPF.? ECOS DO PASSADO - Del Nero reiterou hoje o que disse na semana passada para a Agência Estado a respeito da readmissão de Edílson Pereira de Carvalho nos quadros da FPF. ?Hoje com certeza a atitude seria diferente?, afirmou. ?Teríamos outra diretriz, mas não vou culpar ninguém.? Em sua avaliação, o fato de Edílson ter burlado com facilidade o departamento de arbitragem da entidade, ao apresentar o diploma falso em 1991, não passaria de reflexo da situação daquele momento específico. ?Não havia um especialista em verificação de documentos?, frisou. ?Os papéis eram entregues e aceitos normalmente. Mas isso vai mudar.? Fran Papaiordanu, diretor licenciado do departamento de arbitragem, segue linha de raciocínio idêntica, ao ser questionado a respeito da fraude cometida por Carvalho. ?Não estava na comissão naquela época, mas entendo que, ao receber os documentos, as pessoas imaginavam que os árbitros agiam de boa-fé?, ponderou. ?Ninguém iria pensar que seria apresentado um documento falso.?

Agencia Estado,

06 de outubro de 2005 | 20h32

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