Fracassa leilão da ex-sede da CBF

Foi um fracasso o badalado leilão do prédio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no centro do Rio. O auditório lotado do escritório de Acir Joaquim da Costa, o Acir Leiloeiro, acenava com boas ofertas para o imóvel de 2.280 metros quadrados, cujo valor mínimo estipulado para o negócio era de R$ 1,5 milhão. Mas não houve comprador. ?Por gentileza, levante o braço quem veio participar do leilão. Lembrando apenas que o novo proprietário terá de pagar 50% de sinal e o restante em 30 dias. Muito bem, cadê os interessados?" Diante da não-reação da platéia, Acir Leiloeiro, desapontado, chamou a atenção de sua assistente, Isabel. ?Você não disse que havia gente aqui para comprá-lo?" Na primeira fileira de assentos, o vice-presidente Jurídico da CBF, Carlos Eugenio Lopes, parecia não acreditar no silêncio constrangedor que tomava conta da sala de pregões. Restou a Acir deixar o local rapidamente e coube à assistente iniciar o leilão parcial das salas - a 201, por exemplo, referia-se a todo o segundo andar e estava avaliada em R$ 300 mil. E assim por diante. Mas ninguém quis adquirir nada do segundo ao oitavo pavimento do prédio, construído em 1966 e que leva o nome de João Havelange. A cobertura também não teve comprador. Nessa rodada, o lance inicial era de R$ 300 mil.O pregão foi reaberto em seguida para a tentativa de venda ?condicional? das salas. Nesta etapa, apenas a sobreloja, o subsolo e a lojinha do térreo foram arrematados, por R$ 220 mil. Mas a CBF já adiantou que não fechará negócio com o autor do lance, que preferiu não se identificar. ?Só vim aqui assistir ao leilão. A realidade é crua: o mercado imobiliário está parado", lamentou Eugênio Lopes. Ele disse que se reunirá com o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, para saber o que fazer a partir de agora com o prédio. O dirigente admitiu a possibilidade de o local vir a abrigar um museu do futebol. A CBF deixou a sede própria em agosto de 2002, tranferindo-se para um prédio numa área nobre da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde paga aluguel em torno de R$ 115 mil. A mudança deveu-se em parte ao desconforto de alguns diretores da CBF de ter de caminhar pela calçada da movimentada Rua da Alfândega até alcançar o prédio João Havelange, desprovido de garagem. Muitas vezes, alguns deles, incluindo Teixeira, foram hostilizados por populares. Um incidente em 2002, antes da Copa do Mundo, quase terminou em agressão ao técnico Luiz Felipe Scolari, quando deixava o prédio. Ele foi cercado por torcedores que exigiam Romário na seleção. Uma das maiores manifestações na frente da ex-sede da CBF ocorreu numa tarde de maio de 1978. Centenas de pessoas esperaram com faixas e cartazes o então treinador da seleção Cláudio Coutinho para protestar pela não-convocação de Paulo César Caju para o Mundial da Argentina.

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