Kiko Huesca/EFE
Kiko Huesca/EFE

França confia no talento de Mbappé para bater Uruguai e ir à semifinal

Atacante tem feito uma excelente Copa e terá um desafio enorme nesta sexta-feira, às 11h. em Nijni Novgorod

Glauco de Pierri, enviado especial / Nijni Novgorod, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2018 | 00h00

Com 19 anos, o francês Kylian Mbappé tem assombrado o mundo. Nas oitavas da Copa do Mundo da Rússia, no jogo contra a Argentina, a arrancada do atacante do campo de defesa até a área adversária registrou velocidade perto de 35 km/h – o recorde mundial dos 100 m é do ex-velocista jamaicano Usain Bolt, de 2009, quando atingiu média de 37,5 km/h – e o francês correu com a bola. Companheiro de Neymar no PSG, com três gols no torneio, ele é candidato a melhor jogador da competição. Mas agora, nas quartas de final, a França terá como rival, às 11h (de Brasília) desta sexta-feira, em Nijni Novgorod, uma seleção acostumada a botar medo nos oponentes – o tradicionalíssimo Uruguai, duas vezes campeão do mundo. 

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Aos 71 anos, o “Maestro” Oscar Tabárez, técnico do Uruguai, disse na véspera do jogo, calmamente, o que ele vê de mais positivo no time de Didier Deschamps. “A França é um adversário poderoso, com capacidade, com muitos jovens, de muita velocidade, como Mbappé e Griezmann.” Tabárez chegou com dificuldade para a entrevista. Caminhando a passos lentos, escorado em sua muleta, ele e o futebol uruguaio se mesclam com clareza. Nos últimos anos, o técnico mudou um pouco o padrão tático no qual a seleção sul-americana estava acostumada. Saiu o futebol brucutu, de pancadaria, e entrou a classe, que sempre esteve no país, mas estava esquecida havia um tempo. O Uruguai, então, voltou a figurar entre os melhores da bola.

Mas como será possível anular a troca de passes precisa e a velocidade de Mbappé? Com a palavra, Oscar Tabárez. “Eles são muito criativos, mas sabemos o que eles fazem em campo. Nossa meta é tentar limitá-los e criar problemas para eles.”

A explicação para o termo “limitá-los” é simples. Tabárez, provavelmente, não poderá contar desde o começo do jogo com o atacante Cavani, que se recupera de lesão na panturrilha esquerda, sofrida na classificação uruguaia diante de Portugal, sábado. Assim, o Uruguai ficará com Suárez como referência, mas vai apertar a marcação em Mbappé para tentar correr menos riscos – Cavani deu corridas no campo na quinta-feira, mas sua escalação não foi confirmada.

 

A tarefa será bem difícil, isso todos os uruguaios sabem. O atacante francês tem sido um dos mais eficientes nos arremates a gol na Copa. Até agora, ele marcou três gols em cinco chutes, todos de dentro da área. Isso mostra que Mbappé é certeiro – só chuta quando tem a certeza de que pode vencer o goleiro do adversário.

O jovem francês tem causado preocupação na comissão técnica. Vale tudo para manter o garoto com os pés no chão. Deschamps explicou sobre como faz para deixar Mbappé focado apenas no que precisa fazer. “Kylian é muito inteligente e sabe escutar. Em sua carreira, já passou por uma grande mudança ao sair do Monaco e ir para o Paris Saint-Germain. Ele passou a ser mais exigido. Mbappé ainda está aprendendo e, independentemente do talento que tem, ele precisa continuar fazendo isso. Aprendendo.”

A ideia de Deschamps é que o atacante de 19 anos não dê ouvidos aos milhares de elogios, principalmente da imprensa francesa, mas não só, que não cansa de repetir os feitos do jogador na Rússia, em especial os realizados na classificação do time para as quartas de final contra a Argentina de Messi. O garoto chegou a ser comparado com Pelé, pela revista France Football, e Ronaldo Fenômeno – curiosamente dois brasileiros.

“O que Kylian fez contra a Argentina foi muito bom. Mas já passou. O que ele tinha feito até aquele jogo também tinha sido muito bom para quem tem só 19 anos, mas o que queremos é que ele não dê atenção para isso tudo. Só assim ele vai continuar progredindo. Precisamos saber administrar esses momentos”, afirmou Deschamps, tentando conter a euforia francesa. Em campo, duas escolas de futebol distintas e cada uma com a sua beleza. A velocidade e habilidade francesas contra o rígido sistema defensivo uruguaio.

FÉ EM SUÁREZ

Existe um motivo para o técnico Oscar Tabárez não demonstrar nenhum desânimo com a provável ausência de Edinson Cavani na partida pelas quartas de final: Luis Suárez. Se a França aposta na juventude e na velocidade de Mbappé para ficar entre os quatro mais bem colocados, a Celeste Olímpica acredita no ‘corazón’ do experiente atacante de 31 anos, exímio finalizador, maior artilheiro que o país sul-americano já teve. 

Suárez disputou 102 jogos com a camisa do Uruguai e marcou 53 gols (Cavani tem 45 gols em 105 partidas). Os dois nasceram em Salto, interior do país, mas ‘Luisito’ começou sua carreira no Nacional de Montevidéu, enquanto o amigo marcou os primeiros gols pelo Danúbio.

O atacante é experiente e tem uma coleção de apelidos que hoje em dia parte da sociedade considera politicamente incorreto – pistoleiro, matador, sanguinário. Depois do Nacional, jogou no Groningen e no Ajax, na Holanda, no Liverpool, na Inglaterra, até ser comprado pelo Barcelona, onde atua ao lado de Lionel Messi.

O controverso atacante tem história para contar em Copas do Mundo. Primeiro, em 2010, nas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul, literalmente espalmou o que seria o gol da vitória de Gana sobre sua seleção. Expulso, viu da entrada do túnel dos vestiários a batida da penalidade explodir no travessão. Depois, ainda viu seu país se classificar para as semifinais do Mundial.

Em 2014, na Copa do Mundo do Brasil, talvez o seu maior deslize. Sua seleção vencia a Itália na Arena das Dunas, em Natal, quando ele mordeu o zagueiro italiano Chiellini e foi suspenso pela Fifa. Bronca? Não com Tabárez, não com o povo uruguaio, que abraça seus ídolos. 

 

 

 

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